Faltando menos de um mês para a Copa do Mundo 2026, o clima de expectativa já movimenta pequenos negócios em Alagoas. Embalagens temáticas, produtos personalizados e estratégias voltadas à experiência do consumidor mostram como o futebol segue impulsionando criatividade e oportunidades de mercado.
Segundo o jornalista esportivo Oscar de Melo, a paixão do brasileiro pela seleção continua presente, mesmo após frustrações recentes em Copas anteriores.
“Eu não acredito que o resultado negativo da semifinal da Copa do Mundo realizado aqui no Brasil, tenha mudado o sentimento do torcedor brasileiro em relação à seleção. Nós já passamos por coisas muito parecidas, como a perda do título de 1950, e o hiato antes do título de 1994, que também foi de 24 anos sem vencer, e, apesar disso, nos recuperamos”, afirma.
De olho nesse entusiasmo coletivo, empresas passaram a adaptar produtos e comunicação visual para entrar no clima do torneio. A marca Biscoitos D’Lícia, por exemplo, lançou embalagens inspiradas nas cores do Brasil, mantendo a identidade original dos produtos.
“A gente fez uma leve mudança para não descaracterizar o produto, mas usando as cores do Brasil, a bandeira e a logomarca. Foi uma mudança discreta e bem apropriada”, explica o diretor da empresa, Alexandre Malta.
O redesign foi desenvolvido por meio do Sebrae Alagoas, através do programa Sebraetec, que subsidia consultorias especializadas para pequenos negócios.
A expectativa da empresa é repetir o desempenho registrado em edições anteriores da Copa, quando houve crescimento de até 40% nas vendas, impulsionado pelos encontros entre amigos e familiares durante os jogos.
Para a analista do Sebrae Alagoas, Cintia Silver, a Copa estimula empresas a buscarem soluções criativas e acessíveis.
“A Copa do Mundo estimula os empreendedores a inovarem e adaptarem seus produtos e serviços para aproveitar as oportunidades de aumento nas vendas. O Sebrae vem trabalhando esse incentivo desde o início do ano, por meio de capacitações e consultorias, principalmente com o Sebraetec”, explica.
Ela destaca que pequenas mudanças também podem gerar impacto significativo nos negócios.
“Muitos empreendedores têm boas ideias, mas acreditam que inovar é algo distante ou caro. O Sebraetec aproxima esse acesso e mostra que inovação também pode acontecer em pequenas mudanças, desde uma embalagem até vitrines, identidade visual e criação de novos produtos, ou até mesmo a forma como a marca se comunica com o cliente”, pontua.
A estrategista de encantamento Bel Alvi avalia que o diferencial está na experiência criada em torno do evento.
“A Copa do Mundo não é sobre futebol, é sobre pertencimento”, afirma.
“Existe uma diferença importante entre vender durante a Copa e se tornar parte da memória que o cliente vai levar dela. A primeira gera faturamento imediato. A segunda gera conexão, lembrança e retorno”, destaca.
Impressão 3D
Inspirada nesse comportamento afetivo, a empreendedora Marluce França apostou em produtos personalizados produzidos em impressão 3D, como caixinhas para guardar figurinhas repetidas do álbum da Copa e chaveiros temáticos.
“A ideia surgiu justamente observando o movimento que a Copa gera. A cada edição, as pessoas voltam a viver aquela emoção de colecionar, trocar figurinhas e criar memórias em família”, conta.
Ela afirma que buscou unir praticidade e valor emocional nos produtos.

“Eu enxerguei uma oportunidade de transformar isso em algo ainda mais especial, criando produtos que ajudam a organizar, proteger e valorizar essa experiência. Além de acompanhar uma tendência forte do momento, também pensei no lado afetivo e na praticidade para crianças, pais e colecionadores”, afirma.
Os especialistas também alertam para os cuidados com o uso de marcas oficiais da competição. A FIFA detém os direitos sobre símbolos, logotipos e nomenclaturas do torneio.
Segundo Bel Alvi, isso não impede que os empreendedores aproveitem o clima da Copa de forma criativa.
“Isso não limita a criatividade, direciona a estratégia. A emoção da Copa é livre. O sentimento de torcida, os encontros e a vibração coletiva podem, e devem, ser explorados de forma autêntica”, explica.









