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Projeto que reutiliza fibra de bananeira em Branquinha vence prêmio nacional de educação

Único selecionado em Alagoas, projeto conquista pódio nacional alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
projeto de Branquinha foi o único representante de Alagoas a conquistar o pódio (crédito: Ufal)

O projeto “Escola e Comunidade: Promovendo e Construindo Práticas Inovadoras a partir das oficinas da Fibra da Bananeira” vem dando uma nova cara à educação no município de Branquinha, na Zona da Mata alagoana. A iniciativa se tornou uma das grandes vencedoras do Global Goals Educa, programa nacional que forma educadores para desenvolver ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao todo, dez professores de diferentes regiões do país foram premiados, com iniciativas selecionadas em estados como Bahia, Paraíba, Sergipe, Pará, São Paulo e Mato Grosso. O projeto de Branquinha foi o único representante de Alagoas a conquistar o pódio. Com o reconhecimento, a iniciativa agora carrega com orgulho três selos da ONU: ODS 4: Educação de qualidade; ODS 8: Trabalho decente e crescimento econômico; e ODS 12: Consumo e produção responsáveis.

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Da folha da bananeira ao pertencimento escolar

Idealizado pelo professor Jarmison Odilon, o projeto nasceu de um desejo e de um desafio real. O desejo era inserir os estudantes na Semana Institucional de Pesquisa e Educação Básica (Sinpete) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O desafio era aproximar o ensino, a família e a comunidade rural.

“Muitas vezes, os resultados esperados dos alunos não eram alcançados e a participação das famílias nas reuniões era muito baixa. A partir disso, a escola passou a refletir sobre a realidade da comunidade rural em que está inserida e decidiu utilizar a fibra da bananeira, matéria-prima abundante na região, como forma de aproximar as famílias por meio de oficinas práticas e mais participativas”, conta o professor.

As oficinas foram divididas em momentos pedagógicos e práticos, unindo pais, alunos, professores, funcionários e moradores locais em grupos mistos para a confecção de peças artesanais. Além de valorizar os saberes locais e o artesanato, a ação gerou uma forte conscientização sobre o uso sustentável dos recursos naturais.

Antes de ganhar o Brasil, a iniciativa brilhou em solo alagoano. O projeto conquistou o 1º lugar na categoria Pesquisa Inovadora durante a 4ª edição da Sinpete, realizada em 2025. Para Jarmison, o evento na Ufal foi o grande divisor de águas, encurtando distâncias geográficas e sociais.

“O evento desperta essa investigação tanto nos alunos quanto nos professores e faz com que os estudantes da área rural se sintam pertencentes à sociedade e à construção de um mundo melhor. Muitas vezes, os alunos enxergam a universidade como algo muito distante, e o evento reduz essa distância. Ele permite que os alunos enxerguem que tudo na educação é possível, basta acreditar”, destaca Jarmison.

A coordenadora da Sinpete, Vera Lúcia, reforça que a atividade se alinha perfeitamente ao propósito da universidade de transformar realidades.

“O projeto do professor representa muito bem o espírito da Sinpete: uma ciência que nasce da escola, dialoga com o território e transforma realidades. Ao utilizar a fibra da bananeira, o trabalho valoriza saberes locais, promove sustentabilidade e envolve estudantes, famílias e comunidade em uma experiência concreta de inovação educacional”, pontua Vera Lúcia.

Com a conquista nacional no Global Goals Educa, o sentimento em Branquinha é de pura realização. O projeto segue vinculado ao programa, onde passará por mentorias e integrará uma coleção de livros pedagógicos. “Acho que ainda não caiu a ficha. É muito gratificante levar o nome da escola, da cidade e da educação de Branquinha para outros lugares. Somos uma escola da área rural e a única escola do estado de Alagoas, entre os 102 municípios, a conquistar esse reconhecimento. É algo encantador. Eu nem consigo encontrar adjetivos para descrever tanta felicidade”, comemora o professor Jarmison.

Para a coordenadora Vera Lúcia, ver o fruto dessa trajetória consolida o potencial da educação pública no estado: “Isso mostra que a escola pública alagoana tem produzido conhecimento de qualidade, com impacto social e relevância científica”.

Assista ao vídeo do projeto

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