Cuidar de gente virou também um motor potente para a economia alagoana. Impulsionado pela busca por qualidade de vida e pela força dos pequenos negócios, o setor de saúde e bem-estar vive um momento de forte expansão no estado. Segundo dados do Data Sebrae AL, Alagoas já conta com 13.775 empresas ativas na área, e o ano de 2025 cravou o maior volume de aberturas da história do segmento por aqui, com 2.130 novos CNPJs.
Esse avanço tem a cara do pequeno empreendedor: 87,5% dos negócios registrados são formados por Microempreendedores Individuais (MEI) e Microempresas (ME). O crescimento é puxado principalmente por atendimentos multiprofissionais e ambulatoriais — como fisioterapia, psicologia, nutrição e assistência domiciliar (home care) —, além de consultórios médicos e odontológicos.
Outro dado que enche os olhos e reforça a transformação do mercado é a liderança feminina. Em 2025, as mulheres responderam por mais de 60% do saldo de empregos com carteira assinada gerados no setor, ocupando posições de destaque na gestão em saúde, atendimento especializado e comércio farmacêutico.
Do jaleco à gestão: o desafio de encantar o paciente
Com o mercado em alta, cresce também a necessidade de ir além do atendimento clínico tradicional. Para apoiar quem empreende na área a dominar temas como finanças, inovação e acolhimento, o Sebrae Alagoas realizou o Alagoas Health Summit. O evento reuniu médicos, fisioterapeutas, gestores de clínicas e fundadores de startups em uma imersão prática focada na jornada de quem busca assistência.
“Excelência clínica sem excelência na experiência ainda é uma entrega incompleta. A jornada do paciente começa antes da consulta e continua muito depois dela. Está no agendamento, na recepção, no acolhimento e no acompanhamento. É preciso entregar confiança, clareza e cuidado em todas as etapas”, destacou o diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima.
O encontro abriu espaço para debates sobre marketing ético, impacto da reforma tributária na saúde e uso de dados para gestão, além de uma feira de soluções tecnológicas criadas no Nordeste. Para profissionais como o médico e empresário Hugo Cabral, CEO de três startups, conectar medicina e negócios é essencial para o futuro da área.
“Eu sempre tive essa vocação para empreender e acabei unindo isso à medicina. Encontros como este ampliam horizontes e abrem portas para soluções que a gente muitas vezes nem imaginava serem possíveis na nossa prática diária”, ressaltou o médico.
Segundo a analista do Sebrae Alagoas, Anissélia Nunes, a proposta é fixar o evento no calendário anual alagoano, mantendo o suporte contínuo a quem faz a roda da saúde girar: “Queremos manter esse ecossistema conectado, promovendo uma gestão integrada que fortaleça os pequenos negócios e gere cada vez mais valor para quem é atendido na ponta”.







