Entre as salas de aula, orientações acadêmicas e as demandas diárias da coordenação do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o professor Willian Melo encontrou a muitos quilômetros de qualquer tela uma forma genuína de desacelerar.
Adepto da pesca esportiva, o docente integra um contingente que transformou a atividade no segundo esporte mais popular do país, atrás apenas do futebol. Segundo estimativas do Ministério da Pesca e Aquicultura, o Brasil reúne cerca de 25 milhões de praticantes amadores, em um setor que movimenta aproximadamente US$ 190 bilhões ao ano em escala global, de acordo com o Banco Mundial.
A ligação de Willian com a pescaria começou ainda na infância, no interior de Pernambuco, ao lado do pai. “Desenvolvi o gosto pela pesca com meu pai, que adorava pescar com tarrafa e rede. Comecei a acompanhá-lo e aí passei a pescar com vara de bambu”, relembra o professor, citando que os primeiros peixes fisgados foram piabinhas, caritos zebu e traíras.
“A experiência de pegar meu primeiro peixe foi extasiante, lembro até hoje”, complementa. Com o passar dos anos e o acúmulo das exigências profissionais, o passatempo de menino se consolidou como uma ferramenta de equilíbrio emocional contra a ansiedade, proporcionada pela combinação de concentração, silêncio e ar livre.
Os efeitos relatados pelo docente encontram respaldo científico. Um estudo publicado na revista científica Leisure Sciences revelou que pescadores ativos apresentam uma probabilidade 52% menor de enfrentar sofrimentos psicológicos de moderados a graves.
A prática exercita a paciência diante da espera, aguça a atenção para identificar pequenas movimentações na água e desenvolve a agilidade motora no manuseio das iscas artificiais, além de gerar uma sensação direta de realização pessoal no momento da captura.
Em Alagoas, os refúgios escolhidos por Willian revelam belezas naturais preservadas, a exemplo dos rios e lagoas de Jequiá da Praia, no Litoral Sul. Nessas expedições, o esporte se torna pretexto para estreitar laços sociais.
“Você fica rodeado de amigos, tem boas conversas e até o silêncio é um silêncio confortável e saudável, não tem como não amar”, pontua. Ele destaca o sentimento de parceria que surge a bordo: “Alguns passeios que passamos o dia inteiro sem conexão alguma, descendo rios e lagoas em Jequiá da Praia, rendem momentos excelentes. São dias lindos, com uma paisagem incrível. Todo mundo no barco torce e vibra um pelo outro. É um senso de comunidade e de conexão que acabamos perdendo com a correria do dia a dia. E como nem sempre sai peixe, muitas vezes o que sobra é o momento, que costuma sempre ser incrível”.
Entre as recordações mais marcantes nas águas, Willian guarda com carinho capturas surpreendentes. “Além do primeiro peixe que pesquei quando criança, duas pescas me marcaram muito: uma mega traíra, depois de passar uma tarde inteira sem pegar nada, e o meu maior robalo, que peguei da forma mais espontânea possível. Pensei até que tinha dado um engancho na isca em algum galho, mas na verdade era um peixão”, conta o professor.
Para quem deseja ingressar na modalidade, o docente incentiva o primeiro passo sem afobação. “Eu acho que a pesca não é de fato pra todo mundo, mas para saber se ela é ou não um hobby, você precisa tentar fisgar, pelo menos, um peixinho. Se a emoção bater, você achou o melhor hobby do mundo. Se você gostar, apenas comece. Compre uma varinha boa, boas iscas, chame bons amigos, tendo, de preferência, ao menos um que já tenha pescado e leve boas comidas e bebidas. Não leve estresse de trabalho, de vida, e persista, certeza que um peixinho vai aparecer”, aconselha.
Para garantir a preservação dos ecossistemas aquáticos, a atividade deve seguir normas ambientais rígidas, priorizando o pesque e solte, o manuseio cuidadoso dos animais, o recolhimento rigoroso de linhas e resíduos plásticos e o respeito aos períodos de defeso e reprodução das espécies.
Além disso, todo praticante deve emitir a Licença de Pescador Amador ou Esportivo junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura pelo portal Gov.br. O procedimento é digital e custa R$ 20,00 na categoria desembarcada e R$ 60,00 na categoria embarcada, com pagamento via PIX, cartão de crédito ou boleto e liberação do documento definitivo em até três dias úteis.







