Uma pergunta simples feita por um aluno de oito anos transformou a rotina do 2º Ano A da Escola Municipal Professora Maria José Carrascosa, localizada no Vale do Reginaldo, em Maceió.
Ao ser questionado pelo estudante se possuía o álbum de figurinhas da Copa do Mundo, o professor Carlos Washington ouviu do garoto que ele não tinha condições financeiras de adquirir o livro.
Sensibilizado com a situação, o docente decidiu usar a criatividade e a inteligência artificial para criar uma versão própria do álbum, escalando os próprios 27 alunos da sala ao lado de grandes craques da Seleção Brasileira.
A iniciativa, que começou como um gesto de empatia, rapidamente se transformou em uma ampla mobilização escolar. Para garantir que nenhuma criança ficasse de fora da experiência, o professor articulou doações que resultaram na arrecadação de 32 camisas da Seleção Brasileira para a turma.
O impacto da ação chamou a atenção da gestão municipal, motivando a visita do secretário de Educação de Maceió, João Folha, que esteve na escola para conhecer o projeto.
“O que vimos aqui é um exemplo de como a educação pode transformar realidades por meio da criatividade e do olhar humano dos nossos educadores. O professor Carlos conseguiu unir aprendizagem, inclusão e pertencimento em uma única iniciativa. Ver o brilho nos olhos dessas crianças mostra que estamos no caminho certo quando valorizamos práticas que acolhem, motivam e fazem sentido para os nossos estudantes”, destacou o secretário.
O entusiasmo dos estudantes ficou evidente durante a apresentação do projeto. Entre as crianças, a alegria de receber a camisa da Seleção Brasileira de Futebol e participar do álbum personalizado se transformou em motivo de orgulho.
A aluna Maria Luiza, 8 anos, contou que a camisa foi o item que mais chamou sua atenção. “Eu gostei muito do álbum, mas gostei ainda mais da camisa do Brasil. Achei ela muito bonita e fiquei muito feliz quando recebi”, disse a estudante.

Agatha Vitória da Silva, 7 anos, também destacou a experiência de participar da atividade junto com os colegas. “Eu gostei muito quando o professor fez o álbum para a gente. Achei muito legal ganhar a camisa e ver todo mundo junto participando”, relatou.
Para o professor Carlos Washington, a proposta foi uma forma de aproximar o conteúdo escolar da realidade e dos interesses das crianças. “Eu fiz esse álbum da turma e as figurinhas são eles. Criei os craques e coloquei os alunos ao lado dos principais jogadores da Seleção Brasileira. Tinha Neymar, Vinícius Júnior, Paquetá e outros atletas, misturados com os nossos estudantes usando a camisa do Brasil em formato de figurinha. Eles amaram a ideia. Mais do que trabalhar a Copa do Mundo, o objetivo era fazer com que cada criança se sentisse importante, representada e parte daquele momento”, explicou.
O álbum foi apenas o ponto de partida para uma sequência de atividades desenvolvidas em sala de aula, que envolveram artes, leitura e escrita.
“Quando percebi que o projeto estava tomando forma, resolvi transformá-lo em uma experiência completa de aprendizagem. Trabalhamos artes com a pintura das bandeiras, atividades de leitura e escrita, separação de sílabas, consoantes e vogais. Também levei para a sala uma contação de história sobre a Copa do Mundo, adaptada ao universo infantil, para que eles entendessem como surgiu essa competição”, contou o docente.
Segundo Carlos, a iniciativa também permitiu explorar aspectos geográficos e matemáticos.
“Levei os alunos para conhecerem, ainda que de forma lúdica, os Estados Unidos, o Canadá e o México, que serão os países da próxima Copa. Eles conheceram os estádios, entenderam como funciona a competição, descobriram como as seleções chegam até a final e também trabalharam matemática comparando o número de títulos de cada país. Quando descobriram que o Brasil é o maior campeão da história das Copas, a empolgação foi enorme. Tudo isso aconteceu de forma muito natural porque eles estavam envolvidos com o projeto. Enquanto produzia o álbum, eu mostrava um pouquinho para eles. Dizia que a figurinha já estava pronta, mostrava a arte, fazia suspense. Foi um jeito de manter a turma motivada e ansiosa pelo grande dia da entrega. Eles acompanharam cada etapa e isso tornou o momento ainda mais especial”, concluiu.

O impacto positivo da iniciativa dentro da comunidade também foi celebrado pela gestão da unidade escolar. A diretora Mariluce Melo ressaltou a importância de conectar o aprendizado ao cotidiano das famílias.
“O professor Carlos chegou muito empolgado com essa proposta e conseguiu trazer para dentro da escola um tema que está tão presente nas nossas casas e nas nossas vidas. A partir desse trabalho, as crianças aprenderam de forma concreta, participativa e significativa. A escola abraçou a ideia, ofereceu todo o suporte possível e ficamos muito felizes com os resultados alcançados. Foi uma experiência de aprendizagem que marcou nossos estudantes”, afirmou.
Completando a visão sobre o projeto, a vice-diretora Ana Mônica Costa Martins destacou o forte caráter inclusivo da ação.
“Quando o professor Carlos apresentou essa proposta, percebemos imediatamente o potencial que ela tinha para envolver os alunos. É uma turma que conta com sete estudantes neurodivergentes, e o projeto conseguiu atender diferentes necessidades, despertando interesse, motivação e participação. As figurinhas criaram uma conexão muito forte com as crianças, ajudando na disciplina, no engajamento e no desenvolvimento das atividades”, finalizou.








