Aos 72 anos, Mestre Jasson Gonçalves Silva, de Belo Monte, descobriu que o reconhecimento não tem pressa para chegar, mas chega em festa. Nesta terça-feira (3), o artesão esteve entre os 11 vencedores alagoanos da 6ª edição do prestigiado Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, celebrados em Maceió durante uma manhã de homenagens, memórias e orgulho pelas tradições que nascem no interior do estado.
Com 11 unidades produtivas selecionadas entre as 100 melhores de todo o Brasil, Alagoas garantiu o 2º lugar no ranking nacional, empatado com o Piauí e atrás somente de Minas Gerais. O estado ainda emplacou outros 16 artesãos na lista dos 200 finalistas do país.
O símbolo dessa vitória veio em forma de arte: os troféus entregues aos vencedores foram criados pelo mestre alagoano Valentim, unindo barro, madeira entalhada e bordado filé — uma síntese perfeita da pluralidade que compõe a cultura alagoana.
Superação bordada ponto a ponto
A celebração destacou trajetórias marcadas pela resistência. Para Mestre Jasson, estreante na premiação nacional, a conquista coroa décadas dedicadas ao ofício ribeirinho. “Eu não esperava chegar aonde cheguei. Isso é motivo de muito orgulho e agradecimento”, comemorou.
Já para Ana Cristina Ferreira Santos, bordadeira de Penedo que levou o prêmio pela segunda vez, o troféu teve sabor de superação física e emocional. Suas peças, que retratam casarios coloniais, fauna e a flora do Velho Chico, foram criadas em meio a um momento delicado de saúde.
“Este ano foi muito desafiador. Tive um problema de saúde e criar a peça vencedora foi difícil; trabalhei com dor e cheguei a pensar que não conseguiria. Hoje é só gratidão à minha família, ao meu grupo e a quem estendeu a mão”, relatou Ana Cristina.
A força da persistência também marcou o depoimento de André Felipe Messias dos Santos, de Teotônio Vilela. Conhecido por confeccionar máscaras em argila, madeira e papel inspiradas na fauna e nas raízes do Quilombo dos Palmares, ele destacou como o estímulo técnico faz a diferença para quem vive da arte.
“A equipe do Sebrae acreditou em mim mais do que eu mesmo. Cobravam todo dia a inscrição, o vídeo, a preparação de cada detalhe. Esse empurrão foi fundamental para eu mostrar meu trabalho”, destacou André.
Identidade que vira futuro
Para além da beleza estética, a conquista reforça o impacto socioeconômico do setor, que movimenta povoados inteiros da foz do São Francisco ao Sertão.
O resultado chancela o artesanato de Alagoas não apenas pela tradição ancestral, mas pela excelência na gestão, no design autoral e nas boas práticas produtivas — pilares avaliados pelo comitê técnico nacional.
A consagração já tem data marcada: em março de 2027, a comitiva alagoana embarca para o Rio de Janeiro, onde participará da cerimônia nacional no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), levando a identidade do estado para vitrines de alcance internacional.









