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Projeto de telessaúde reduz distâncias e garante pré-natal especializado a 2 mil gestantes

Parceria entre Ufal e Ministério da Saúde leva especialistas a postos de saúde de sete municípios e combate a mortalidade materna
O grande diferencial do modelo é levar o suporte de obstetras especializados em alto risco para o momento da consulta no posto de saúde (crédito: assessoria)

O Núcleo de Telessaúde de Alagoas (NTS-AL) completou seu primeiro ano de operação superando a marca de 2 mil atendimentos voltados ao cuidado especializado de gestantes. Fruto de uma parceria entre o Centro de Pesquisa em Engenharia e Sistemas (Easy) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e o Ministério da Saúde, o projeto atua diretamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do interior, identificando riscos na gravidez e evitando deslocamentos desnecessários para a capital.

Atualmente, o serviço funciona em sete municípios: Branquinha, Maragogi, Penedo, Porto Calvo, Rio Largo, São Luís do Quitunde e União dos Palmares. A cidade de Coruripe já assinou o termo de adesão e iniciará as atividades nas próximas semanas.

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O grande diferencial do modelo é levar o suporte de obstetras especializados em alto risco para o momento da consulta no posto de saúde. Por meio de vídeo e mensagens, o médico da atenção básica discute condutas em tempo real e define o melhor tratamento para a gestante.

Impacto em números

  • No primeiro ano de atividades, o balanço do projeto registrou:
    1.300 teletriagens realizadas: permitiram 847 diagnósticos precoces (480 de alto risco e 367 de risco intermediário);
  • 62% das pacientes avaliadas apresentavam médio ou alto risco gestacional e receberam acompanhamento adequado;
  • Mais de 300 telemonitoramentos para suporte contínuo às pacientes;
  • Mais de 200 serviços de teleconsultoria e teleinterconsulta entre profissionais;
  • 292 mil quilômetros poupados em viagens: economia de 3,6 mil horas em estradas e redução de 38 toneladas na emissão de CO₂.

Inteligência artificial com selo alagoano

A inovação tecnológica é um dos pilares da iniciativa. Pesquisadores da Ufal desenvolveram o Gestar, uma ferramenta digital baseada em Inteligência Artificial que calcula o risco obstétrico cruzando exames laboratoriais, testes rápidos, ultrassonografias e histórico clínico da paciente. A solução gera automaticamente a ficha de estratificação de risco alinhada aos protocolos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Pela relevância técnica, o Gestar venceu o prêmio na categoria “Ferramentas” do Simpósio Brasileiro de Computação Aplicada à Saúde (SBCAS) em 2026.

Além do atendimento clínico, o conhecimento gerado pelo NTS-AL serviu de base para a atualização da Norma Técnica do Instrumento Estadual de Estratificação do Risco Obstétrico, beneficiando toda a rede pública de saúde de Alagoas no enfrentamento à mortalidade materna e infantil.