Peças criadas em Alagoas, por mãos alagoanas, ganhando o Brasil e o mundo. Há mais de dez anos, o curso de Produção de Moda da Escola Técnica de Artes (ETA) da Ufal tem sido o ponto de partida para talentos que transformaram a criatividade em carreiras sólidas e internacionais.
Maceioense do bairro de Bebedouro, Dely Teodoro sempre trabalhou com moda, mas não imaginava o alcance que sua arte teria. Hoje, suas peças autorais vestem ícones como Anitta (em clipes de seu novo single), além de Pabllo Vittar, Marina Sena, Deborah Secco e Jade Picon.
O processo criativo de Dely é visceral. Ele transforma sentimentos em esculturas vestíveis: “Certa vez, estava me sentindo ‘aos cacos’ e usei cacos de quartzo para criar um busto. Que do meu caos sempre nasçam flores”, revela o estilista.
Sua marca, a D.lyvar, nasceu dentro da Ufal, como resultado de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Para Dely, a formação foi o diferencial para refinar o conhecimento e expandir contatos. Sua mensagem para quem está começando é inspiradora: “Se você não acreditar na sua capacidade, ninguém vai. Atire como uma flecha”.
Da Barra de Santo Antônio para a Irlanda. Michaele Ferreira é outra egressa da ETA que provou que as raízes alagoanas são um ativo valioso no exterior. Especialista em styling, ela atua no aprimoramento estético de coleções, trazendo elementos de sua infância e história para cada composição.
Ao chegar na Europa em 2021, Michaele percebeu que sua formação técnica era um diferencial competitivo raro: “Todos os stylists que conheci lá não tinham formação específica. Eles ficavam curiosos sobre o que estudávamos aqui. A formação me trouxe segurança para trabalhar com marcas que eu nunca havia acessado no Brasil”, conta.
Para Michaele, ocupar espaços no mercado da moda, ainda marcado por desigualdades, exige estudo. “Sou do interior e fui a primeira da família na universidade pública. Se não fosse o poder dos estudos, não chegaria onde cheguei”, afirma.
A “receita” do sucesso desses profissionais passa pelo incentivo à originalidade. Segundo a professora Lili Menezes, vice-coordenadora do curso, a formação busca vincular a moda à cultura local.
“Nada é mais original que expressar ‘o nosso jeito’. Esse movimento de valorizar o profissional local está em processo, e o mercado começa a abrir as portas ao perceber que marcas e imagens que vinham prontas de fora não geravam identificação”, explica Lili.









