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Pacientes com câncer de mama plantam árvores para celebrar a vida

Iniciativa da Santa Casa de Maceió marca nova fase na trajetória de sete mulheres com ação simbólica no Zooparque
O encontro, realizado no Santa Casa Cancer Center, marcou a abertura de uma edição especial do Projeto Vencer (crédito: assessoria)

Antes de plantar uma árvore, é preciso preparar o terreno. Para um grupo de sete mulheres que enfrentaram ou ainda enfrentam o câncer de mama, essa preparação começou com a partilha de afetos: histórias divididas, abraços demorados e lembranças de trajetórias que, embora únicas, se cruzam na coragem.

O encontro, realizado no Santa Casa Cancer Center, marcou a abertura de uma edição especial do Projeto Vencer — ação desenvolvida há cinco anos pela Santa Casa de Maceió. O ápice da iniciativa acontecerá no dia 22 de outubro, quando as participantes se reunirão no Zooparque Pedro Nardelli para plantar mudas de árvores, simbolizando o florescer de uma nova fase.

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Durante a roda de conversa, as participantes relembraram o impacto da notícia, a rotina de cuidados e as transformações profundas provocadas pela enfermidade. Foram compartilhados relatos de quem ainda tem etapas a cumprir, de quem lida com os reflexos pós-tratamento e de quem precisou recalcular rotas de vida diante do diagnóstico.

Para a coordenadora médica da Oncologia Clínica, Andrea Albuquerque, o momento evidencia a singularidade humana por trás de cada prontuário. “Cada paciente vive o câncer de uma maneira muito particular. Ouvir essas histórias nos ajuda a compreender ainda mais a importância de um cuidado individualizado, que enxergue a pessoa para além da doença”, ressalta.

A visão é compartilhada por Eli-Edna Gouveia, supervisora de Enfermagem e integrante da gestão administrativa da unidade. “Quando falamos de câncer, não estamos cuidando apenas de uma patologia. Cuidamos de uma história de vida, de sentimentos e de toda uma família”, pontua.

Criar raízes para renascer

Para Elisângela Emery, o ato de colocar as mãos na terra terá um significado comovente. Após perder uma irmã para a doença, ela enfrentou uma maratona terapêutica: 16 ciclos de quimioterapia, cirurgia bilateral com reconstrução mamária, 15 sessões de radioterapia e um ano inteiro de imunoterapia. A etapa mais intensa foi concluída em agosto de 2024, e hoje ela segue em acompanhamento preventivo na instituição.

“Plantar uma árvore era algo que eu já desejava muito. Acredito que Deus conduz todas as coisas e existe um tempo certo para tudo. Esse convite encheu meu coração de alegria e gratidão”, celebra Elisângela.

Segundo a gestora da Linha Oncológica e uma das organizadoras da ação, Aishá Gois, o propósito é fortalecer o horizonte dessas pacientes. “O Projeto Vencer traduz esse olhar que vai muito além da medicina tradicional. Nosso desejo é que essas mulheres sintam que cada vitória conquistada abre caminho para recomeços férteis”, destaca.

De quimioterapia a “curaterapia”

A relação de Moana Sampaio, de 45 anos, com a Santa Casa carrega uma duplicidade rara. Enfermeira, auditora e técnica em radiologia, ela soma 22 anos de dedicação profissional à instituição. Com o diagnóstico positivo para câncer de mama, passou a vivenciar a rotina hospitalar sob a ótica de quem está do outro lado do leito.

Atualmente em acompanhamento e com previsão de novos procedimentos cirúrgicos após mapeamento genético, Moana relembra que o receio inicial da quimioterapia foi desmistificado por uma palavra de apoio da mastologista Lígia Teixeira.

“A médica me mostrou que aquele medicamento era, na verdade, o instrumento que estava me salvando. A partir dali, mudei a chave mental: nunca mais disse que ia para a quimioterapia, passei a chamar de ‘curaterapia’”, relata emocionada.

Mensagens que abraçam

Ao término da dinâmica de acolhimento, cada mulher recebeu um envelope para escrever uma mensagem de força a ser sorteada entre as colegas de jornada. Ao abrirem as cartas, a sala foi preenchida por sentimentos comuns: resiliência, fé em Deus, esperança na ciência e solidariedade mútua.

Entre os recados carinhosos, destacou-se o apoio da pequena Aghata, filha de Moana, reafirmando o papel do afeto familiar no processo de cura.

Para a gestora de Humanização, Taciana Amorim, a troca de vivências também serve de farol para a comunidade externa. “É uma corrente que estimula a conscientização, o autocuidado, o diagnóstico precoce e a realização periódica de exames preventivos”, afirma.

No próximo mês de outubro, essas narrativas ganharão forma de folhas, galhos e raízes no solo alagoano — eternizando a perseverança de cada uma dessas mulheres em forma de vida que brota.

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