Produtos, serviços e experiências que carregam Alagoas em sua essência terão uma nova forma de reconhecimento e acesso ao mercado. O Sebrae Alagoas lançou, na última terça-feira (1º), a Origem Alagoas, marca criada para identificar e valorizar negócios genuinamente ligados ao território alagoano.
Apresentada durante evento no Picuí Restaurante, em Maceió, a iniciativa começa a operar em 2027. Um dos principais instrumentos será o selo Origem Alagoas, destinado a empreendimentos que comprovem conexão com o estado por meio da matéria-prima, dos saberes, do modo de fazer, da cultura ou de outras características da identidade local.
A proposta vai além da identificação dos produtos. Os negócios interessados passarão por um diagnóstico e, quando necessário, por uma jornada de qualificação e adequação antes da concessão do selo. A estratégia busca preparar pequenos empreendedores para novos mercados e, ao mesmo tempo, estimular o consumo da produção alagoana dentro do próprio estado.
“A gente fala em ganhar o mundo, mas primeiro precisamos ganhar o nosso quintal, o nosso terreiro”, resumiu o superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Arruda.
Segundo ele, o crescimento do turismo e de outros setores abre espaço para ampliar a participação dos produtores locais nas cadeias de fornecimento. A intenção é fazer com que alimentos, bebidas, artesanato, moda autoral e outros produtos de Alagoas estejam mais presentes em restaurantes, hotéis, pousadas e estabelecimentos frequentados por moradores e turistas.
Identidade alagoana como requisito
Para receber o selo, não será suficiente que o empreendimento esteja localizado em Alagoas. O produto ou serviço deverá apresentar uma relação efetiva com o território.
O gerente de Competitividade Setorial do Sebrae, Henrique Soares, explica que o diagnóstico avaliará a identidade territorial, mas também questões como gestão, regularização, processo produtivo, potencial de mercado e capacidade de crescimento.
“O produto precisa ter uma relação genuína com Alagoas, com a matéria-prima, o modo de fazer, o saber, o território. A partir do diagnóstico, vamos entender em que estágio aquele negócio está e quais adequações podem ajudá-lo a alcançar o mercado local, regional, nacional ou até internacional”, explicou.
A iniciativa não ficará restrita a produtos. Rotas turísticas, experiências e projetos de turismo de base comunitária também poderão participar, desde que apresentem uma conexão consistente com a identidade alagoana.
Para a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Alagoas, Juliana Almeida, a diversidade dos 102 municípios é um dos principais ativos da proposta.
“A nossa origem fala de território, de tradição e de muita criatividade. Fala de uma Alagoas que vai do mar ao Sertão, que sobe a serra e desce para o calor do São Francisco. São 102 territórios, 102 histórias, mas, acima de tudo, essa história fala de gente”, afirmou.
Uma marca para Alagoas
Embora criada e registrada pelo Sebrae, a expectativa é que a Origem Alagoas seja apropriada por diferentes setores da economia.
“Apesar de ser uma marca registrada pelo Sebrae, a Origem Alagoas não é uma marca do Sebrae. É uma marca de Alagoas. Precisa estar no turismo, na agricultura, na produção, na prestação de serviços. É uma marca de todos os alagoanos”, destacou o diretor técnico da instituição, Keylle Lima.
O lançamento deu uma amostra dessa diversidade. Oito pequenos negócios alinhados à proposta participaram como expositores. Entre eles estava a Delícias da Fazenda, de Quebrangulo, empreendimento de Ítala Maria Tenório que produz doces sem conservantes e corantes utilizando leite da própria propriedade e ingredientes adquiridos na região.
“Esperamos ter cada vez mais divulgação e conquistar novos mercados”, disse Ítala.
A identidade alagoana também chegou ao cardápio do evento. O chef Wanderson Medeiros preparou pratos com produtos locais, demonstrando na prática uma das ideias centrais da iniciativa: aproximar quem produz de quem compra.
O selo Origem Alagoas terá validade inicial de dois anos, com possibilidade de renovação após nova avaliação. Um site está sendo desenvolvido para apresentar os critérios e, futuramente, receber as inscrições. Em uma segunda etapa, a plataforma também deverá oferecer ferramentas para exposição e comercialização dos produtos.







