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Setor de panificação e confeitaria cresce em Alagoas e já soma mais de 2,6 mil negócios ativos

Apenas em 2025, o estado registrou a abertura de 457 novas empresas no segmento
O setor esta gerando cerca de 2,7 milhões de empregos diretos e indiretos no país (crédito: assessoria)

O hábito tradicional do pão quentinho no início da manhã movimenta uma engrenagem econômica expressiva em Alagoas. Impulsionado por microempreendedores individuais (MEI) e pequenos produtores artesanais, o setor de panificação e confeitaria registrou a abertura de 457 novas empresas no estado em 2025. Com isso, Alagoas alcançou a marca de 2.633 negócios ativos no segmento.

O avanço local acompanha o ritmo nacional. Dados do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação (Ideal), divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), mostram que o setor cresceu 6,80% no último ano, movimentando R$ 164,12 bilhões e gerando cerca de 2,7 milhões de empregos diretos e indiretos no país.

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Do Sertão à Capital: Histórias de expansão

Por trás dos dados estatísticos estão trajetórias de empreendedores alagoanos que transformaram a panificação em sinônimo de superação. No Sertão do estado, em Olho d’Água das Flores, Lutieres Gonçalves transformou o antigo sonho de ser padeiro na Panificadora Real, fundada em 2022. O investimento na qualidade do produto rendeu à empresa o segundo lugar no Concurso do Melhor Pão Francês de Alagoas, realizado pelo Sebrae em 2025.

“Quando comecei a aprender o trabalho dentro da padaria, percebi que meu sonho era me tornar padeiro e ter meu próprio negócio. Durante todos esses anos procurei fazer sempre o meu melhor para cada cliente e hoje fico muito feliz por ter conseguido chegar onde estou”, conta Lutieres.

O empresário destaca que manter a competitividade depende de um compromisso diário.

“É preciso conquistar a confiança dos clientes todos os dias. Hoje eles buscam variedade, higiene, bom atendimento, inovação e qualidade constante. Tudo isso faz diferença para manter a empresa competitiva”.

Além dos tradicionais pães francês, seda e bolachão, a padaria oferece uma variedade de doces e salgados. Para Lutieres, acompanhar a evolução do mercado faz parte da rotina.

“O mercado está em constante evolução. Quem busca conhecimento consegue melhorar a gestão, reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e oferecer produtos cada vez melhores. Entregar o meu melhor é motivo de felicidade, hoje posso dizer que amo a profissão de padeiro”, destaca.

Recomeço e investimento em pessoas

Já a história da Mister Pão começou a partir de um recomeço conduzido por Rodrigo Thomaz e Yngrid Lins. Há oito anos, o casal decidiu encerrar as atividades de um supermercado que reunia mercearia, açougue e padaria para focar exclusivamente na panificação.

“Assim nasceu a Mister Pão. O sonho era simples: começar pequeno e crescer no tempo de Deus, acreditando que, com muito trabalho, dedicação e fé, cada conquista viria no momento certo”, relembra Rodrigo.

Hoje, grande parte da equipe cresceu junto com a Mister Pão

Nos primeiros anos, o empresário assumia praticamente todas as funções da empresa, desde padeiro, passando por atendente e até entregador. Com o crescimento do negócio, surgiu o desafio da escassez de mão de obra qualificada, o que levou a empresa a investir na formação interna.

“Percebemos que precisávamos fazer mais do que contratar. Decidimos investir nas pessoas. Demos oportunidade para quem ainda não tinha experiência e passamos a formar nossos profissionais dentro da empresa. Hoje, grande parte da equipe cresceu junto com a Mister Pão”, destaca com orgulho.

A busca constante por melhorias também levou a empresa a rever processos internos.

“Observando o comportamento dos clientes percebemos que eles buscavam mais agilidade no atendimento. Mudamos a forma de trabalhar e conseguimos reduzir o tempo de espera. Aprendemos que ouvir o cliente é essencial para evoluir”, pontua Rodrigo. “A Mister Pão não nasceu de grandes investimentos. Ela nasceu de um sonho, de muito trabalho, da coragem de recomeçar e da confiança de que Deus honra aqueles que fazem a sua parte. E essa é apenas a primeira página da nossa história. Ainda temos muitos sonhos para realizar”.

De olho no mercado corporativo e no turismo

Diante do cenário de crescimento, o Sebrae Alagoas realizou o Encontro de Padarias e Confeitarias para debater tendências e novas frentes de faturamento. Januacele Vieira, analista de Competitividade Setorial do Sebrae Alagoas, apresentou um panorama do segmento e destacou o impacto direto da capacitação.

“Os empreendedores que buscam capacitação, consultorias e apoio para aprimorar a gestão apresentam maior permanência no mercado e menor índice de mortalidade. São empresas que conseguem identificar oportunidades, melhorar seus processos e aumentar a competitividade”, pontuou a analista.

Januacele também apresentou uma pesquisa recente realizada com hotéis e pousadas de Alagoas, que identificou novas oportunidades para o setor na cadeia do turismo.

“Quem deseja ampliar sua atuação precisa compreender as exigências do mercado corporativo. A pesquisa mostrou que o pão francês continua sendo o produto mais consumido pelos hotéis e, ao mesmo tempo, aquele em que ainda existe espaço para melhorias de qualidade. Investir na qualidade desse alimento é uma estratégia importante tanto para fortalecer o relacionamento com o consumidor quanto para conquistar novos mercados”, reforçou.

O encontro integra uma jornada de desenvolvimento construída de forma conjunta por diferentes áreas da instituição.

“Em vez de realizarmos ações isoladas, passamos a integrar iniciativas como o Concurso do Melhor Pão Francês e os Encontros de Negócios em uma única jornada de desenvolvimento. Assim conseguimos oferecer um acompanhamento mais estratégico e criar novas oportunidades para fortalecer as empresas do segmento”, explica Ruan Lee, analista de Relacionamento Empresarial do Sebrae Alagoas.

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