Uma iniciativa criada no município de Piaçabuçu, no Litoral Sul de Alagoas, começa a ganhar destaque como exemplo de desenvolvimento territorial baseado na cooperação. A criação da moeda social vinculada ao banco comunitário “É da Gente” integra um modelo considerado pioneiro no estado, ao unir uma cooperativa de crédito e um banco de economia solidária.
A proposta amplia o acesso da população a serviços financeiros e estimula a circulação de recursos dentro da própria comunidade, impulsionando o comércio local.
O Banco É da Gente surgiu a partir da Cooperativa dos Agricultores Familiares e Empreendimentos Solidários de Piaçabuçu (Coopaiba) como alternativa diante da ausência de agências bancárias no município.
“Surgiu em um contexto de desbancarização. Os serviços financeiros estavam concentrados na cidade vizinha, Penedo, o que gerava impactos para a economia local”, explica o presidente do banco, Pedro Vinícius.
Recentemente, a iniciativa lançou a moeda social É da Gente (EDG) e uma plataforma digital chamada Assertivo, desenvolvida em parceria com o Instituto Assertiva. O sistema permite pagamentos, transferências e outras movimentações financeiras por meio de aplicativo.
A moeda funciona em formato digital e físico e mantém paridade com a moeda nacional: 1 EDG equivale a R$ 1. A proposta é que a moeda circule exclusivamente em Piaçabuçu, incentivando o consumo no comércio local.
Intercooperação como base
O projeto também reúne diferentes organizações em um sistema de intercooperação. Além da Coopaiba, a iniciativa conta com a parceria da Cooperativa de Crédito do Agreste Alagoano (Cooperagre), que contribui com a estrutura financeira da operação.

Segundo os organizadores, o banco comunitário já movimentou cerca de R$ 6,5 milhões em moeda social em aproximadamente três anos de funcionamento, em uma cidade com cerca de 17 mil habitantes.
Possibilidade de expansão
O modelo desenvolvido em Piaçabuçu já desperta interesse de outras regiões e pode inspirar novas experiências de finanças solidárias no estado. Projetos em parceria com a Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária preveem a criação de quatro novos bancos comunitários em Alagoas.
Para o secretário executivo de Cooperativismo, Associativismo e Economia Solidária da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Benedito Júnior, a iniciativa demonstra o potencial do cooperativismo para impulsionar o desenvolvimento econômico.
“A experiência mostra como o cooperativismo e a economia solidária podem criar soluções inovadoras para ampliar o acesso a serviços financeiros e gerar oportunidades para a população”, afirma.












