Uma equipe do projeto Meros do Brasil registrou em vídeo, nessa terça-feira (17), um peixe mero (Epinephelus itajara) com aproximadamente 1,20 metro de comprimento, a cerca de 10 metros de profundidade, em uma área recifal de Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas. Criticamente ameaçada, a espécie é protegida por lei.
De acordo com o pesquisador do Projeto Meros do Brasil e do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Márcio Lima Júnior, a área onde o peixe foi flagrado já havia sido mapeada em estudo prévio. A partir dessas informações, foram publicados dois artigos científicos abordando o mapeamento e os registros da espécie: um em 2022 e outro no fim de 2025.
“O Litoral Sul é extremamente importante para o mero. Há alguns anos realizamos estudos na região e já identificamos áreas relevantes de berçário, onde os juvenis se desenvolvem, além de possíveis locais de reprodução. No Litoral Sul, a presença da espécie é mais constante durante os mergulhos quando comparada a outros trechos do estado e até mesmo do país”, celebra o pesquisador.
Mesmo ameaçada e protegida por lei, a espécie ainda é alvo de captura e comércio ilegais.
“É frequente encontrar exemplares descaracterizados nas bancas de peixe, comercializados como ‘sirigado’, geralmente na forma de filés ou postas, o que dificulta a identificação. Ainda assim, registros em ambiente natural continuam ocorrendo, principalmente nas proximidades de unidades de conservação, como a RESEX Marinha da Lagoa do Jequiá, onde há esforços efetivos de proteção e maior conscientização”, destaca.
Curioso
Ele explica que o mero é um peixe curioso e pouco intimidado pela presença de mergulhadores. Costuma se aproximar, investigar e, por vezes, até acompanhar quem está na água.
“Nesse mergulho específico, quando descemos, ele já estava no local, aparentemente curioso com nossa presença. O ponto tinha aproximadamente 10 metros de profundidade, e o indivíduo media cerca de 1,20 metro. Tratava-se de um habitat típico da espécie, com boa diversidade, estrutura recifal complexa e muitos abrigos”, detalha.
Veja vídeo:
Os meros ocorrem desde os manguezais até ambientes recifais costeiros e áreas mais profundas.
“Semana retrasada, por exemplo, observamos um juvenil de aproximadamente 50 centímetros em um recife a cinco metros de profundidade, bem próximo à costa. Há também registros científicos da espécie em profundidades superiores a 100 metros. De modo geral, os indivíduos jovens utilizam manguezais como áreas de crescimento e proteção. À medida que se desenvolvem, passam a ocupar ambientes recifais marinhos, dependendo da conectividade entre esses ecossistemas para completar seu ciclo de vida”, explica Lima Júnior, fazendo um alerta.
“Se não mantivermos manguezais saudáveis e não permitirmos que os juvenis se desenvolvam nesses ambientes, certamente não veremos meros adultos como esse nos recifes de coral”.
Turismo de observação
O pesquisador ressalta ainda que o trabalho de sensibilização é fundamental, assim como a fiscalização por parte dos órgãos competentes.
“Gradualmente, buscamos mostrar aos pescadores que o mero vale mais vivo do que morto, tanto pelos serviços ecológicos que presta, contribuindo para o equilíbrio e a saúde dos ecossistemas marinhos, quanto pelo seu potencial econômico por meio do turismo de observação. Em diversas partes do mundo, mergulhadores pagam valores elevados para ter a oportunidade de observar esses animais. O mero é curioso, interativo e oferece risco mínimo quando respeitado, sendo geralmente mais previsível do que se imagina para um peixe de grande porte”, afirma.
“Pescadores mais antigos relatam que, décadas atrás, havia muito mais meros em Alagoas. Hoje, mesmo com a proteção legal, os registros são menos frequentes. Como pesquisador, espero que consigamos recuperar a espécie e que as próximas gerações tenham a oportunidade de contemplar um animal tão majestoso. Os meros levam, em média, de seis a sete anos para amadurecer. Nessa idade, atingem cerca de um metro de comprimento”, conclui.












