Repórter fotográfico, artesão de nascimento e poeta popular. Esse é o multifacetado José Alves Feitosa, um paulojacintense inquieto de 74 anos. Mas pode chamá-lo de “Zé da Feira”, quando o assunto é glosar.
E é justamente o Zé da Feira que assume o protagonismo em “De Frente pro Verso”, um espaço criado no Instagram para versejar e prosear sobre os causos da vida cotidiana com bom humor e sabedoria.
“Depois que me aposentei, passei a curtir mais nas minhas andanças, as rodas de poesias, cantorias de violas e outros eventos ligados à nossa cultura. Tendo inclusive, em várias ocasiões, a oportunidade de mostrar nossos versos e contar alguns causos. Daí surgiu a ideia de criar um espaço que pudesse ser ocupado por aqueles interessados e amantes da nossa cultura”, conta Zé da Feira.
Os primeiros episódios já estão disponíveis para os amantes da cultura popular, no perfil do poeta popular: @dafeiraze.
Ele conta que a ideia de criar o espaço também surgiu a partir de uma conversa com o amigo Dércio Canuto, poeta e pesquisador da cultura popular nordestina que estará ao lado de Zé da Feira nessa empreitada.
“O nome surgiu da seguinte conclusão: durante toda a minha vida eu sempre estive entre a foto e o verso. Agora chegou a vez de ficar somente de Frente Pro Verso”, entrega o repórter fotográfico aposentado.

A proposta, revela, é abrir espaço para os novos artistas: poetas, cantadores repentistas, glosadores, declamadores, músicos, compositores… E convidar também aqueles que já são conhecidos, como forma de valorização e fortalecimento da cultura popular nordestina.
“Está sendo uma grande e maravilhosa surpresa. A gente esperava uma boa aceitação, mas posso dizer que, para início de papo, está sendo excelente”, avalia.
Zé da Feira acrescenta que a ideia é tornar o De Frente pro Verso um momento itinerante que vai ao encontro dos artistas em seus redutos, com a periodicidade de três novos vídeos semanais.
O gosto pela poesia
O interesse de Zé pela poesia popular começou ainda quando criança, através da literatura de cordel oferecida pelos vendedores de folhetos nas feiras livres de Paulo Jacinto e Viçosa, região do Vale do Paraíba alagoano.

“Daí, para rabiscar as primeiras estrofes, não demorou muito. Aos 12 anos de idade, eu já estava escrevendo os primeiros versos. Apesar dos amigos me chamarem carinhosamente de poeta, eu diria que sou apenas um fazedor de rimas que, por não saber declamar, me coloco apenas como um ‘dizedor’ de versos”, conclui.









