Um oásis chamado Castanho, numa reserva de caatinga, onde o rústico se une ao moderno para despertar nos hóspedes o desejo da permanência diante de gigantesco lago? Sim. No Sertão das Alagoas.
Este cenário se chama Pousada Castanho. Fica a 295 km de Maceió, em Delmiro Gouveia, um dos sete municípios da região dos Cânions do Rio São Francisco, e recebe mais de 30 mil visitantes por mês.
“No princípio, usava o terreno apenas para plantar melão e tomate. Vendia em Maceió e no Recife”, recorda Eliseu Gomes, que viu no lago de Xingó um “mar” de oportunidades turísticas.
Com o represamento das suas águas, entre as usinas de Xingó (Piranhas) e Paulo Afonso (BA), em 1994, ele apostou num negócio turístico com foco na preservação da natureza.

Mais de 30 mil visitantes por mês
Leleu Gomes, como é conhecido, mandou fazer um catamarã, em Xingó (Piranhas). Montou, então, píer para embarque de turistas na vizinha Olho d´Água do Casado.
“Em 2013, comecei os passeios aos cânions do São Francisco”, lembra-se. Até então, o serviço só era ofertado por empresa de Canindé do São Francisco (SE), que “vendia” muito bem as belezas alagoanas.
Incluiu uma parada no Castanho, onde a pousada já funcionava. Bingo. Com o crescimento exponencial dos visitantes para day use, o negócio “explodiu”, no bom sentido, é claro.
“Recebemos 30 mil pessoas por mês, entre hóspedes e visitantes”, explica Leleu, apontando para a piscina de borda infinita, uma das atrações do empreendimento.

Treinamento, conforto e sofisticação
Para garantir conforto e sofisticação à clientela, é preciso ter camareiras, recepcionistas, cozinheiros, marinheiros, além de gente especializada em manutenção.
“Somo o terceiro maior empregador de Delmiro. Temos 115 trabalhadores com carteira assinada. Só perdemos para a Prefeitura e para um supermercado”, diz.
A mão de obra, egressa da agricultura ou de serviços mais simples, recebeu treinamento adequado para ofertar a melhor experiência possível à clientela.
Ex-vaqueiros são marinheiros. Algumas das cozinheiras, então viúvas de maridos vivos, não dependem mais da grana dos esposos que ainda vivem no Sudeste.

Incentivo a fornecedores locais
Esse mix de colabores faz com que a hospedagem oferte muito mais do que acomodações confortáveis e diante das quais há aconchegantes varandas com mesas rústicas e redes coloridas.
Seja na piscina, seja no restaurante, num dos bares do Castanho, ou na empresa de turismo da empresa, o atendimento à clientela é muito bem feito.
No café, por exemplo, não há bandejão. Alimentos são dispostos de acordo com desejo dos hóspedes. A carne de bode com cuscuz e queijo (impossível não degustar), têm sabor indescritível.
À exceção de itens industrializados, os insumos provêm de fornecedores regionais. Elevada qualidade e menos desperdício. Quem prova quase não deixa sobras.
Passeios de catamarãs ou ‘voadeiras’
Em mais de uma década de funcionamento, o Castanho transformou-se num hub, que recebe gente para day use (R$ 25,00 por pessoa) ou as envia para passeios (R$ 120,00 por adulto).
Os passeios de catamarã aos Cânions, principal atrativo da região, duram três horas, entre saída, parada para mergulho em piscina montada dentro do São Francisco.
A navegação nos cânions, onde é possível contemplar paisagens castanhas de uma beleza singular, configura-se uma experiência única, inesquecível, indescritível.
Para o mesmo trajeto, há quem prefira o frete de uma ‘voadeira’, lancha com motorização potente. Outros ficam na pousada, pedalando de bicicleta sobre o Velho Chico.

Maior reserva de caatinga de Alagoas
A pousada Castanho está na maior reserva particular de caatinga de Alagoas. São 1.500 hectares de vegetação, na região que compreende o Monumento Natural do Rio São Francisco (Mona).
“Pensei num ambiente aconchegante e que dialogasse com a natureza. Afinal, turismo e ecologia são indissociáveis”, explica Leleu, ao falar de seu negócio.
O nome da pousada deriva dos portugueses, que costumavam usar a palavra castanho para se referir à coloração avermelhada das rochas existentes na região.
O espaço recebe e recupera papagaios, alguns apreendidos por órgãos oficiais, ou então trazidos pelos seus criadores, que querem vê-los livres pela primeira vez.

Região tem 3.540 leitos para hospedagem
A região dos Cânions do São Francisco reúne os municípios de Água Branca, Pariconha, Delmiro Gouveia, Olho d´Água do Casado, Piranhas, Pão de Açúcar e Belo Monte.
Atualmente, oferta 3.540 leitos para hospedagem, em sua maioria na cidade de Piranhas. Tem 150 atrativos turísticos e 43 empresas especializadas no assunto.
São 137 bares e restaurantes, além de dez empresas especializadas na recepção de turistas, que vêm de todo o país, seja por Alagoas, seja pelo vizinho Sergipe.









