A Associação dos Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga desenvolveu uma metodologia própria para medir a capacidade de absorção de carbono em áreas de vegetação da Caatinga. Conforme os estudos, cada hectare preservado do bioma tem capacidade para absorver aproximadamente 5 toneladas de carbono por ano, gerando cinco créditos que podem ser negociados no mercado.
“A emissão desses títulos vai se tornar uma alternativa de renda e de valorização para os produtores rurais”, explica o presidente da Associação, Haroldo de Almeida.
O modelo de crédito de carbono integral é considerado inovador por unir preservação ambiental, inclusão social e valorização de comunidades tradicionais, e mostra que, ao invés de tentar alterar e combater as características do bioma, é possível conviver com ele de forma sustentável, avanço que se fortalece com o apoio do Sebrae.
“Esse mercado abre espaço para geração de renda, reflorestamento e certificação da madeira, além de estimular o engajamento socioambiental das comunidades”, afirma Fábio Rosa, gerente do Sebrae Regional Delmiro Gouveia.
A Associação dos Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga reúne, desde 2022, agricultores familiares, comunidades tradicionais e técnicos para desenvolver um modelo de crédito de carbono integral, buscando a valorização da biodiversidade local e geração de renda.
Sobre o crédito de carbono
O crédito de carbono é um ativo financeiro que representa a redução ou sequestro de dióxido de carbono, gás que atua diretamente sobre o efeito estufa. Cada tonelada do gás que deixa de ser emitida ou é capturada corresponde a um crédito.
Praticamente toda atividade humana emite carbono, enquanto a vegetação absorve esse mesmo carbono durante seu desenvolvimento. Segundo Haroldo de Almeida, o mercado de crédito de carbono funciona como um sistema de compensação.
Empresas, organizações e até mesmo eventos que geram emissões de gases de efeito estufa podem comprar esses créditos para compensar a pegada de carbono. A associação atua como emissora e vendedora desses títulos.
“Esse crédito é um ativo, é como se fosse um título que atesta que determinada área de vegetação absorveu uma quantidade específica de carbono em um período de tempo. Esse crédito, comprado por indústrias e outras organizações que emitem dióxido de carbono, é um benefício destinado a pessoas, empresas ou empreendimentos que provam ter sequestrado carbono por conta da vegetação nativa ou exótica, diminuindo a emissão do gás injetado na atmosfera”, explicou.
O ambientalista detalha usando um exemplo prático: “Uma festa emite, em média, 10 toneladas de carbono durante a organização. Depois que é feito esse cálculo, os organizadores vão procurar dez títulos de crédito para compensar o que foi emitido durante o evento”, completou.
Com Agência Sebrae











