Água, malte, levedura e lúpulo são os ingredientes principais das cervejas artesanais, um mercado que cresce e conquista cada vez mais consumidores. Em 2024, a produção total de cerveja no Brasil alcançou 15,34 bilhões de litros.
No último ano, o país registrou aumento de 5,5% no número de cervejarias, somando 1.949 estabelecimentos. Embora a região Nordeste ainda não lidere em consumo, apresentou um crescimento expressivo de 16,4% em estabelecimentos, segundo o Anuário da Cerveja do MAPA.
Para inovar e chamar atenção de mais consumidores, muitas cervejarias vêm apostando em sabores diferenciados, como o uso da casca de limão siciliano nas receitas e na inserção da bebida em festivais culturais, a exemplo da Hop Bros e da Cervejaria Deodora, instaladas em Alagoas.
Pioneiro no estado, Celso Nonô acreditou no potencial do setor mesmo em um cenário que ainda estava em estágio inicial. A Cervejaria Deodora nasceu em 2012, inspirada em viagens a São Paulo, quando Celso teve contato com a cevada pura e despertou o desejo de produzir chopp artesanal de alta qualidade.
Inicialmente fundada como Cevada Pura Maceió, em parceria com a Cevada Pura de Piracicaba, a cervejaria inaugurou sua fábrica própria no Distrito Industrial em 2014, tornando-se a primeira cervejaria artesanal do estado. Em 2017, passou a se chamar Cervejaria Deodora, trazendo no nome o propósito de traduzir o espírito alagoano: autêntico, criativo e acolhedor.
“O início foi desafiador. Ser pioneira significava quebrar barreiras culturais: o público não estava acostumado a cervejas que fugiam do padrão das grandes marcas. Foi preciso apostar em degustações, eventos culturais e muita conversa com os consumidores para apresentar estilos, explicar sabores e mostrar que cerveja artesanal é sinônimo de qualidade, cuidado e história”, conta Maria Carolina Nonô, filha de Celso e atual gestora da cervejaria.
Produtos e inovação
Hoje, a Deodora oferece nove estilos de chopp e cervejas artesanais, entre fixos e sazonais. Entre os rótulos permanentes estão Pilsen, Deodora, Lemondrop e IPA. Já os sazonais trazem novidades que conquistam os consumidores, como Session IPA, Tropical Ale, Weizenbier, American Wheat e Oatmeal Stout.
“A Deodora é o nosso xodó, herança da época da Cevada Pura. Foi a cerveja que meu pai sempre disse ter sido amor ao primeiro gole. Já a Session IPA, recém-relançada, é mais leve, ideal para quem aprecia o amargor característico da IPA, mas deseja uma experiência refrescante que combina com o nosso estado. Cada receita é pensada para unir rigor técnico, criatividade e identidade local”, explica Carolina.
Incentivo à cultura
Mais que cerveja, a Deodora se consolidou como promotora da cultura local. Em 2021, criou a Deodora Produção, responsável por eventos que já fazem parte do calendário do estado, como Festival Alagoaníssimo, Chopp&Samba, Bloquinho da Deodora, Deodora Games, Treinão Deodora e Rock na Fábrica.
“Entendemos que, como cervejaria artesanal, temos o privilégio de estar próximos do dia a dia de quem vive aqui. Essa conexão nos permite criar experiências que vão da gastronomia ao esporte, sempre de mãos dadas com a cultura local. Nosso diferencial é estar atentos ao que o público deseja, construindo momentos inesquecíveis e valorizando o orgulho de ser alagoano”, reforça Carolina.
Os festivais Gogó da Breja e Alagoaníssimo também contaram com apoio do Sebrae Alagoas, que aposta no potencial do setor.
“Temos atuado para dar visibilidade às cervejarias locais, integrando-as a eventos, promovendo divulgação e oferecendo consultorias para adequação às normas legais, já que mesmo pequenas, elas são indústrias e precisam cumprir regulamentações como as do MAPA”, explica Januacele Vieira, trainee do Sebrae Alagoas.
Apesar da concorrência com grandes marcas, as cervejarias artesanais de Alagoas vêm conquistando espaço pela qualidade e diferenciação.
Um marco desse movimento é o cultivo de lúpulo no estado, conduzido pelo produtor Aluysio Righetti em União dos Palmares. O insumo, essencial à produção, é majoritariamente importado, e sua produção local pode reduzir custos e gerar sabores autênticos, fortalecendo a identidade cultural da cerveja alagoana.
“Esse movimento constante de inovação mostra a força do setor em Alagoas. Com o cultivo do lúpulo, caminhamos para consolidar uma cerveja 100% alagoana”, completa Januacele.











