Presidente do Instituto Biota de Conservação, o biólogo Bruno Stefanis avalia que, ao adaptar as metas nacionais para o contexto local, o Plano de Ação Estadual para Proteção de Tartarugas Marinhas (PAE) conseguirá envolver novos agentes e ampliar os resultados.
Sob a coordenação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), diversos órgãos se reuniram, na semana que passou, para discutir a criação desse importante instrumento de conservação das espécies que ocorrem em Alagoas.
Stefanis lembrou que já existe o Plano Nacional para Conservação das Tartarugas Marinhas, do qual faz parte e presta assessoramento, mas ressaltou a importância de uma política local específica.
“Avaliamos que seria muito interessante termos um Plano Estadual, uma vez que o Ministério Público de Alagoas possui o programa Pró-Espécie, que incentiva esses planos de ação locais. Assim, trazendo as ações do Plano Nacional para o Plano Estadual, conseguiremos envolver outros atores da política pública que não estão presentes no nacional. Dessa forma, colaboramos com as metas nacionais por meio de ações locais”.
Para ele, a coordenação entre os dois planos ampliará o impacto das ações de conservação.
“Com isso, conseguimos maior força para atingir metas tanto em nível estadual quanto nacional. Essa junção é superimportante”, pontuou o especialista, ressaltando o papel ecológico estratégico das tartarugas marinhas.

“Elas são espécies bandeira — carismáticas e queridas — e também espécies guarda-chuva. Ao protegê-las, protegemos todo o ecossistema ao seu redor”, explicou.
Stefanis lembrou ainda que a proteção das tartarugas não apenas cumpre metas nacionais, mas também compromissos internacionais de conservação.
“A gente consegue atingir várias metas, não só nacionais, como internacionais, ao proteger esses animais em seu ambiente natural”, observou o biólogo.
Encontro
A reunião para discutir a criação do PAE foi realizada na quinta-feira (10) na sede da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), em Maceió. Participaram representantes da pasta, do MPAL, do Instituto Biota e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), dentre outros parceiros da iniciativa.
De acordo com o promotor de Justiça Alberto Fonseca (Defesa do Meio Ambiente), o MPAL já tem firmado um termo de cooperação recíproca com o Instituto Biota de Conservação.
“Agora, abraçamos essa iniciativa de criação de um PAE para trabalhar dentro do que estabelece o Planejamento Estratégico do Ministério Público dentro do Programa de Atuação Ministerial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, desta vez em relação ao ambiente marinho”, salientou.
Encalhes
Dados do Instituto Biota apontam que, entre os anos de 2018 e 2019, foram registrados cerca de 3 mil encalhes de tartarugas marinhas, com 99% delas já mortas quando encontradas.
Na avaliação de Stefanis, o quadro confirma que Alagoas é uma área importante para conservação das cinco espécies de tartarugas que ocorrem no Brasil. Os pontos de maior necessidade de fiscalização, segundo ele, também estão devidamente mapeados.
O professor da Ufal e coordenador do Laboratório de Ecologia e Evolução do Antropoceno, Robson Guimarães dos Santos, disse que os principais problemas que ameaçam as tartarugas marinhas em Alagoas são os mesmos que ocorrem no Brasil e no mundo.
Ele citou: perda dos recifes de coral, pesca não direcionada às tartarugas, mas que utiliza equipamentos que podem afetar esses animais; ocupação da faixa de areia da praia por construções, iluminação mal direcionada, poluição por plástico e o turismo desordenado.
Com informações da Ascom MPAL











