A agricultora Maria José Cavalcante, de Messias (AL), usa a agricultura como uma aliada da produtividade e da preservação dos recursos naturais, transformando o solo e a paisagem da região em que vive.
Num terreno de 7,5 hectares, no assentamento Flor do Bosque, ela implementou um Sistema Agroflorestal (SAF) e tem sido exemplo justamente por praticar a chamada agricultura de baixo carbono.
“Cultivamos árvores frutíferas, espécies nativas, medicinais e exóticas, além de uma cultura de café que nasceu de uma única muda da Zona da Mata e ocupa três hectares”, relata Maria, orgulhosa.
Onde havia só cana-de-açúcar
A área onde hoje floresce a agrofloresta da Maria era um terreno limpo e que por muitos anos produzia apenas cana-de-açúcar. Com dedicação e práticas sustentáveis, toda a extensão está agora plantada.
O sistema adotado por Maria José permite o cultivo conjunto de árvores, lavouras e pastagens, o que gera inúmeros benefícios ambientais e com diversos benefícios ao meio ambiente.
“O Sistema Agroflorestal só traz benefícios: equilibra o meio ambiente, ajuda na produção de água, recupera o solo e gera alimentos para humanos e animais”, afirma a produtora.
Viveiro com mais de mil mudas
Ela também mantém um viveiro com produção anual de mais de mil mudas, entre espécies ornamentais, nativas e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), que são comercializadas localmente.
O adubo usado pela agricultura é resultado da compostagem natural de folhas e galhos – um bioinsumo orgânico e de alta qualidade, feito na propriedade.
Por ano, ela consegue reduzir em 500 toneladas a emissão de gases do efeito estufa. Além disso, o solo foi restabelecido, as nascentes recuperadas e a biodiversidade ampliada.
É possível ter autonomia
“Eu acredito que se o agricultor tiver um viveiro, conseguir ter suas mudas, vai conseguir ter autonomia. O que fiz aqui pode ser feito em muitas outras terras. Basta acreditar que é possível produzir com respeito à natureza”, conclui Maria José.
Técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri), por meio do Plano ABC+ Alagoas, acompanham o trabalho desenvolvido pela agricultora, fornecendo-lhe orientações técnicas.
O objetivo é incentivar práticas agropecuárias que reduzam a emissão de gases de efeito estufa (GEE), aumentem a produtividade e contribuam para o equilíbrio climático.










