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Juiz federal faz audiência fora do fórum para atender morador em situação de rua

Amarildo não era encontrado para comparecer às audiências anteriores devido aos problemas de saúde
Amarildo enfrenta problemas de saúde e vive nas ruas há mais de uma década (fotos: Secom JFAL)

A Justiça Federal em Alagoas deu um passo além da formalidade e foi até onde era preciso para garantir um direito fundamental. O juiz federal Antônio José de Carvalho Araújo, titular da 9ª Vara Federal em Alagoas, realizou uma audiência fora do fórum – na rua – para atender Amarildo Francisco dos Santos Silva, de 57 anos, que vive em situação de rua e aguardava uma decisão judicial sobre seu processo previdenciário. O caso aconteceu nessa segunda-feira (8) e viralizou nas redes sociais.

Amarildo não era encontrado para comparecer às audiências anteriores, até que foi localizado, com dificuldade de locomoção e debilitado por uma enfermidade na perna.

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Sensível à situação de vulnerabilidade extrema do autor, o juiz federal decidiu realizar a audiência ali mesmo, no local em que Amarildo frequenta, no bairro da Levada. O gesto, simples na forma, mas imenso em significado, reflete o compromisso da Justiça com a dignidade humana, especialmente para aqueles que mais precisam ser vistos.

“Trata-se de um trabalhador. Passou por diversas empresas, na função de vigilante, por mais de 20 anos e, por questão de saúde, ficou impossibilitado de trabalhar. Fizemos essa audiência porque o Amarildo encontra-se em situação de rua e não conseguiria chegar à Justiça Federal. Trata-se de uma questão de urgência. Na audiência, o INSS ofereceu proposta de acordo, homologamos, e, com esse benefício, acreditamos que vamos conceder uma garantia mínima para restabelecer a dignidade a esse trabalhador”, explica o juiz Antônio José.

Mesmo diante das limitações, Amarildo estava acompanhado no processo pelo advogado Carlos Marcel. Ainda durante a audiência, a procuradora-chefe do INSS em Alagoas, Tatiana Cabral Xavier, também demonstrou sensibilidade com o caso e concordou com a proposta de acordo para a concessão do benefício previdenciário.

O entendimento permitiu a resolução célere do processo e garantiu a Amarildo o direito a uma proteção social que pode transformar sua realidade. Com isso, ele será beneficiado com a concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), de um salário mínimo.

Da esquerda para a direita, advogado Carlos Marcel; procuradora do INSS, Tatiana Xavier; Amarildo dos Santos; juiz Antônio Araújo e servidor da JFAL, Douglas Lamenha

Atendimento prioritário

A cena, carregada de humanidade, reafirma a proximidade da Justiça Federal com o cidadão mais simples e vai além das paredes de um gabinete. Quando os olhos e ouvidos da lei se voltam para as ruas, enxergam vidas que esperam por dignidade, reconhecimento e cuidado.

A iniciativa atende ao que determina a Resolução nº 425/2001 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o objetivo de oferecer atendimento prioritário e sem burocracia nos tribunais brasileiros.

A história de Amarildo não é apenas sobre um processo judicial. É sobre empatia, presença e compromisso com a cidadania. É sobre fazer valer o acesso à Justiça, independentemente de CEP ou condição social.

Confira o vídeo da ação: