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Funciona mesmo? Pesquisa da Ufal avalia uso de carvão ativado na Odontologia

Estudo de aluna alagoana aprovado em evento nacional analisa impactos do produto popular em restaurações
No experimento laboratorial, os blocos passaram por escovação simulada durante 28 dias para avaliar alterações de cor e textura (crédito: assessoria Ufal e Canva)

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas (Foufal/Ufal) investigou os efeitos de cremes e pós à base de carvão ativado em restaurações dentárias.

O estudo “Avaliação in vitro dos efeitos de dentifrícios à base de carvão na alteração de cor e rugosidade de superfície de resinas compostas” foi selecionado para ser apresentado na 43ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPqO), maior congresso do setor no país e referência na América Latina, que ocorre entre 9 e 12 de setembro em São Paulo.

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Elaborado pela estudante de iniciação científica Giselle Medeiros, sob orientação das professoras Dayse Andrade Romão e Raphaela Farias Rodrigues, o trabalho analisa o impacto do uso continuado desses produtos em blocos de resina composta — mesmo material utilizado em restaurações. No experimento laboratorial, os blocos passaram por escovação simulada durante 28 dias para avaliar alterações de cor e textura.

“Vou participar do evento e estou muito feliz. Foi uma grande satisfação saber que o trabalho foi aprovado e poder apresentar a pesquisa. O evento é referência na divulgação da produção científica da área, promovendo a troca de conhecimentos e o fortalecimento da pesquisa odontológica. A aprovação de trabalhos nesse congresso representa o reconhecimento da qualidade das pesquisas desenvolvidas na Foufal e contribui para dar visibilidade à produção científica da nossa instituição”, comemorou Giselle Medeiros.

A análise comparou produtos comerciais à base de carvão ativado, em pó e em creme, com um dentifício convencional com flúor.

“Utilizamos blocos de resina composta, que é o mesmo material utilizado em restaurações dentárias. Eles foram confeccionados com dimensões e acabamento iguais para garantir que todas as amostras fossem avaliadas nas mesmas condições. Após a preparação e o polimento, os blocos passaram por uma escovação simulada em laboratório, durante o período de 28 dias, utilizando escovas de cerdas macias e os diferentes dentifrícios testados. Antes e depois desse processo, foram avaliadas a cor e a rugosidade da superfície das amostras”, explicou a pesquisadora.

Os testes demonstraram que o pó e os cremes à base de carvão ativado não alteraram a cor da resina composta e reduziram a rugosidade da superfície do material restaurador. A estudante ressalta, contudo, que os achados não devem ser extrapolados para dentes naturais.

“É importante destacar que esses resultados são específicos para a resina composta, que foi o material avaliado na pesquisa, e não para os dentes naturais. Em relação aos dentes naturais, a literatura científica mostra que os produtos à base de carvão ativado podem apresentar maior potencial abrasivo e, quando utilizados de forma frequente, favorecer o desgaste do esmalte dental”, esclarece.

Giselle destaca ainda que o apelo estético desses produtos precisa de cautela por parte dos consumidores. “As evidências atuais não demonstram que os cremes à base de carvão promovam um clareamento superior ao dos dentifrícios convencionais. Portanto, os resultados observados no nosso estudo não significam que esses produtos sejam benéficos para os dentes naturais”, pontua a estudante.

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