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Equoterapia favorece reabilitação de pacientes neurológicos

Método terapêutico utiliza cavalos para estimular funções motoras, cognitivas e emocionais
Vínculo criado durante as sessões contribui para o fortalecimento da autoestima, da confiança e da motivação (crédito: assessoria)

A equoterapia tem ganhado cada vez mais espaço como ferramenta complementar na reabilitação de pacientes com doenças neurológicas em Maceió. Reconhecida por seus benefícios físicos, cognitivos e emocionais, a prática utiliza o movimento tridimensional do cavalo para estimular funções do organismo e contribuir para o desenvolvimento da autonomia e da qualidade de vida de crianças, adolescentes, adultos e idosos.

O método é indicado para diferentes condições neurológicas e do neurodesenvolvimento, como paralisia cerebral, transtorno do espectro autista (TEA), síndrome de Down, sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumatismo cranioencefálico, lesões medulares, doenças neurodegenerativas e atrasos no desenvolvimento motor.

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A prescrição é sempre realizada de forma individualizada, considerando as necessidades e objetivos terapêuticos de cada paciente. Segundo o fisioterapeuta e professor da Afya Maceió, Cesário Souza, especialista em dor, um dos diferenciais da equoterapia está na capacidade de promover estímulos simultâneos em diferentes sistemas do organismo.

“Durante a montaria, o praticante recebe estímulos posturais contínuos que se assemelham ao padrão fisiológico da marcha humana, favorecendo ajustes de equilíbrio, controle de tronco, coordenação motora e planejamento motor”, destaca Cesário.

Além dos benefícios físicos, a interação com o cavalo também exerce papel importante no desenvolvimento emocional e cognitivo dos praticantes. O vínculo criado durante as sessões contribui para o fortalecimento da autoestima, da confiança e da motivação, aspectos que impactam diretamente no processo de reabilitação.

“O cavalo não é apenas um meio de transporte durante a terapia. Ele é parte integrante do processo terapêutico”, reforça o especialista.

Entre os resultados mais frequentemente observados estão melhorias no equilíbrio, na postura, na coordenação motora, na funcionalidade para atividades diárias e na independência dos pacientes. Também são relatados avanços na comunicação, na interação social, no comportamento e na qualidade de vida.

Integração

Outro aspecto relevante da iniciativa é a integração entre assistência, ensino e pesquisa. Por meio da Liga de Fisioterapia Neurofuncional (LAFIN), da Liga Multidisciplinar de Estudos em Dor (LAMED) e da parceria com o Instituto Rodrigo Luz, estudantes da área da saúde participam de atividades que aproximam a formação acadêmica da prática clínica baseada em evidências, explica o professor.

“A integração entre assistência, ensino e pesquisa é extremamente importante”.

As ações também contribuem para a produção de conhecimento científico sobre os efeitos da equoterapia, auxiliando no aperfeiçoamento dos protocolos terapêuticos e na ampliação do reconhecimento da modalidade.

Desafios

Embora a equoterapia tenha avançado nos últimos anos, o especialista aponta desafios para ampliar o acesso ao tratamento em Alagoas, como a necessidade de mais centros especializados, formação de profissionais capacitados e fortalecimento de políticas públicas que garantam o acesso da população ao serviço.

Para Cesário Souza, iniciativas como o Instituto Rodrigo Luz demonstram que o estado tem avançado na oferta desse tipo de atendimento, contribuindo para a inclusão e para o desenvolvimento de pessoas que convivem com limitações físicas, cognitivas e sociais.

“Investir em programas de equoterapia significa investir em qualidade de vida, dignidade e cidadania para pessoas que frequentemente enfrentam barreiras físicas e sociais no seu cotidiano”, ressaltou Souza.

A prática reforça um conceito cada vez mais presente na saúde moderna: a reabilitação não deve focar apenas na doença, mas principalmente na funcionalidade, na autonomia e no potencial de cada indivíduo.

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