O Dia Nacional do Vinil é celebrado neste 20 de abril. O tradicional “bolachão” marcou a história da música ao influenciar hábitos de escuta e processos de produção ao longo das décadas.
O disco de vinil, no formato LP (Long Play) como é conhecido hoje, foi lançado no fim da década de 1940 e se consolidou como principal mídia musical por muitos anos.
Antes disso, os registros eram feitos em discos de outros materiais, como a goma-laca. Para a reprodução, é necessário um toca-discos, popularmente chamado de vitrola.
Com a popularização do CD e, posteriormente, das mídias digitais, o vinil perdeu espaço no mercado. Nos últimos anos, porém, voltou a registrar crescimento, impulsionado pelo interesse em uma experiência mais sensorial, pelo valor estético e pela nostalgia.
Hoje, ocupa um nicho específico, associado ao consumo retrô e ao público que valoriza a mídia física.
Origem da data
A escolha de 20 de abril é tradicionalmente associada ao falecimento do cantor e compositor Ataulfo Alves, em 1969. Uma década depois, colecionadores e apreciadores de discos no Rio de Janeiro passaram a adotar a data como forma de celebrar o vinil e sua relevância cultural.
Embora seja comum associar o retorno do vinil a consumidores que viveram seu auge, pesquisas indicam outro cenário. A geração Z tem papel relevante nesse movimento e responde por uma parcela significativa das compras atuais.
Nos últimos cinco anos, as vendas de LPs cresceram, em média, 18%. Cerca de 60% dos jovens dessa geração afirmam adquirir discos, segundo levantamento da Futuresource Consulting.
O vinil também aparece como item de estilo. Dados da Vinyl Alliance mostram que 56% dos fãs da geração Z se interessam pelo formato por sua estética, enquanto 37% o utilizam como elemento de decoração.
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Paixão pelos discos
A jornalista alagoana Miriam Pimentel conta que a paixão pelos discos de vinil começou ainda na infância, dentro de casa. Segundo ela, o interesse foi retomado anos depois, quando recebeu de presente um disco da tia e decidiu iniciar a própria coleção, que hoje reúne cerca de 65 títulos.

Para Miriam, o vinil oferece uma experiência que vai além da música.
“O que mais gosto do vinil é a imagem, gosto de observar a capa e contracapa que, pelo seu tamanho, dá pra ver cada detalhe. Quando vem encarte, melhor ainda, pois consigo ler quem fez o quê, quem tocou a bateria, quem compôs, quem produziu”, afirma.
Ela também destaca a emoção de encontrar discos usados.
“Amo os recadinhos deixados pelas pessoas que deram aquele disco pra alguém quando compro um vinil garimpado. Me sinto viajando naquele tempo, fico rindo e até mesmo emocionada”.
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A pesquisadora Kamilla Abely também coleciona discos de vinil, influenciada pelas amigas. Uma delas, colecionadora de longa data, sempre compartilhou sua paixão nas redes sociais, despertando nela uma admiração pela estética e pelo universo da música em vinil.
“Enquanto pesquisava sobre os diferentes modelos de vitrolas, uma outra amiga, que já possuía uma, começou a colecionar discos. Após um encontro em que pude apreciar sua coleção e desfrutar da experiência, acompanhado por um bom vinho, fiquei encantada. A atmosfera criada pela vitrola, com o ritual de selecionar o disco, colocá-lo para tocar e virá-lo, proporcionou um momento maravilhoso”, descreveu.

“O vinil tem sido um convite para estreitar meu contato com a música, em especial a MPB, de ouvir outros artistas e álbuns que nunca imaginei ouvir e que não teria contato por um aplicativo de músicas. Também me faz prestar mais atenção nas letras das músicas, no ritmo e nos instrumentos que compõem uma canção”, finalizou.









