De Maceió a “Cangaço Novo”: uma trajetória construída entre a educação e a arte

Servidora da educação pública, atriz Ane Oliva vive momento marcante ao integrar série de sucesso
Na trama, ela interpreta Valdetário Vaqueiro, mãe dos protagonistas (créditos: acervo pessoal)

Depois de se destacar em “O Agente Secreto”, a atriz alagoana Ane Oliva volta a ganhar projeção nacional ao integrar o elenco da série “Cangaço Novo”, produção do Prime Video que teve sua segunda temporada lançada no último dia 24. A novidade amplia a presença de talentos alagoanos no audiovisual brasileiro e, para Ane, tem um significado especial.

“É uma alegria imensa fazer parte de um projeto dessa dimensão. A gente sabe o quanto é difícil chegar até aqui, então cada trabalho tem um valor muito grande”, conta a atriz.

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Com mais de 30 anos dedicados ao teatro e uma trajetória consistente no cinema, Ane também constrói diariamente outra frente de atuação: há 15 anos, é servidora da rede estadual de ensino, onde trabalha como secretária escolar na Escola Estadual Romeu de Avelar, em Maceió. Para ela, os dois caminhos caminham juntos.

“A educação faz parte de quem eu sou. Estar na escola todos os dias me conecta com a realidade e com as pessoas. E isso também alimenta o meu trabalho como atriz”, afirma.

Processo longo

A participação na série é resultado de um processo longo, que começou ainda antes da pandemia. Ane relembra que fez o primeiro teste sem saber exatamente do que se tratava.

“Fui convidada para gravar uma self-tape, mas não sabia qual era a produção. Só depois fui entendendo melhor. A pandemia interrompeu tudo, e meses depois o contato foi retomado. Fiz vários testes até chegar à personagem”, explica.

Na trama, ela interpreta Valdetário Vaqueiro, mãe dos protagonistas. A personagem aparece em momentos que revisitam o passado da família, em cenas carregadas de emoção.

“Ela está muito ligada à origem da história. São cenas fortes, que ajudam a entender o que aconteceu com aquela família. Mesmo aparecendo em momentos específicos, é uma personagem muito importante”, destaca.

A experiência também representa um marco pessoal: essa é a primeira participação de Ane em uma série. Inserida em uma produção de grande porte, ela teve contato com uma nova dinâmica de trabalho.

“Foi tudo muito intenso e ao mesmo tempo muito enriquecedor. A estrutura é diferente, o ritmo também. Aprendi muito durante todo o processo”, diz.

É a primeira participação de Ane em uma série: “Foi tudo muito intenso e ao mesmo tempo muito enriquecedor”

Entre Cabaceiras e Maceió

Conciliar a carreira artística com o serviço público exige organização. Durante as gravações, realizadas em grande parte em Cabaceiras, na Paraíba, Ane manteve uma rotina de deslocamentos constantes.

“Eu ia para Cabaceiras, gravava e voltava para Maceió. Retomava o trabalho na escola e, quando surgiam novas diárias, fazia tudo de novo. Foi cansativo, mas deu certo”, relembra.

A estreia da nova temporada foi celebrada de forma especial. A pré-estreia, realizada na própria Cabaceiras, reuniu cerca de três mil pessoas e emocionou a atriz.

“Ver aquela praça cheia, com a comunidade participando, foi muito bonito. A cidade abraçou o projeto desde o início, então viver esse momento lá teve um significado enorme”, conta.

Entre a rotina na escola pública e os sets de gravação, Ane Oliva segue construindo uma trajetória marcada por dedicação e sensibilidade. “Eu sigo fazendo o que amo, tanto na educação quanto na arte. E isso, para mim, já é uma grande realização”, conclui.

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