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Bactéria encontrada na Caatinga vira insumo para proteger plantações da seca

Feito com a bactéria Bacillus subtilis, Hydratus foi formulado para proteger plantas em condições de escassez hídrica
O microrganismo mostrou potencial de produção de fitohormônios, que aumentam o tamanho das raízes (crédito: assessoria)

Quando a pesquisa científica tem como propósito salvar o meio ambiente, ela rapidamente vira notícia boa. Pesquisadores da Embrapa descobriram que uma bactéria isolada de solos da Caatinga pode virar o ingrediente principal de uma nova tecnologia contra a seca, melhorando o desempenho das lavouras brasileiras.

Esta não é a primeira bactéria que auxilia plantas na seca. Em 2021, a rizobactéria Bacillus aryabhattai, encontrada no mandacaru, serviu como base para um bioinsumo que aumenta a resiliência e a capacidade de adaptação das plantas do cereal ao estresse hídrico.

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Produzido com a bactéria Bacillus subtilis, o novo Hydratus foi formulado para proteger as plantas em condições de escassez hídrica e ainda estimular seu crescimento. O Hytratus também é capaz de melhorar o desempenho de lavouras irrigadas.

Estudos em áreas comerciais mostraram aumento de até 7,7 sacas por hectare na produção de milho e 4,8 sacas por hectare em lavouras de soja tratadas com o bioproduto.

bactéria isolada de solos da Caatinga pode virar o ingrediente principal de uma nova tecnologia contra a seca

O diferencial do Hydratus está na seleção e concentração elevada de células de Bacillus, aliada a uma formulação inovadora com agentes protetores que favorecem a sobrevivência da bactéria no solo e prolongam a meia-vida do produto na prateleira.

O Hydratus é resultado de anos de pesquisa e desenvolvimento dentro do projeto “Seleção e caracterização de microrganismos para mitigação dos efeitos da seca e promoção do crescimento de plantas”, coordenado pela pesquisadora Eliane Aparecida Gomes, junto com a equipe da Embrapa.

Testes

A ideia original da pesquisa, iniciada há oito anos, na Embrapa Milho e Sorgo (MG) foi explorar a diversidade brasileira de microrganismos visando isolar, identificar e caracterizar microrganismos capazes de contribuir para aumentar a adaptação de plantas a períodos intermitentes de déficit hídrico e, ao mesmo tempo, atuar como promotores de crescimento de plantas.

Nos testes em laboratório, o microrganismo mostrou potencial de produção de fitohormônios, que alteram a morfologia e aumentam o tamanho das raízes, mecanismos fundamentais para adaptação à seca.

A descoberta do Hydratus como produto acontece em um momento importante de mudanças climáticas.

“A seca afeta a disponibilidade e o transporte de nutrientes do solo para as raízes, induz o aparecimento de radicais livres que, em altas concentrações, causam danos a várias estruturas celulares, além inibir o crescimento das plantas”, conta a cientista da Embrapa.

“Essa tecnologia chega como um grande suporte para os agricultores que lidam com os desafios crescentes das mudanças climáticas”, afirma o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia em exercício da Embrapa Milho e Sorgo, Alexandre Ferreira da Silva.