O Laboratório de Ictiologia e Conservação (LIC) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sediado na Unidade Educacional de Penedo, recebeu um material valioso para pesquisa científica: a cabeça de um peixe Mero (Epinephelus itajara) com 2,1 metros de comprimento corporal. O animal, com peso estimado em 200 kg, foi encontrado encalhado, já sem vida, no litoral norte da Bahia e, após estudos iniciais, teve a cabeça congelada e encaminhada para a Ufal.
“Os Meros são classificados como criticamente ameaçados de extinção, sendo a pesca ilegal e a degradação de seus habitats as principais ameaças. Como possuem um crescimento lento, vivendo por mais de 40 anos, examinar um peixe com mais de dois metros de comprimento é raro”, destacou o professor Cláudio Sampaio, o “Buia”.
O peixe foi encontrado no mês de maio, em bom estado de conservação. Os parceiros do Projeto Tamar em Arembepe/BA comunicaram ao LIC e foram orientados sobre a coleta de dados e de material biológico.
Durante as primeiras análises foi constatado que o estômago estava vazio e não foi possível identificar o sexo do peixe. Já a cabeça, com mais de 30 kg, foi congelada e, cinco meses depois, trazida à Ufal Penedo pelo supervisor de Educação Ambiental do Projeto Meros do Brasil, Tiago Albuquerque, para a realização de novos exames.
De acordo com Sampaio, estagiários e bolsista do LIC e Projeto Meros do Brasil irão coletar tecido muscular para análises genéticas e a extração dos otólitos, que são estruturas localizadas no ouvido interno dos peixes e funcionam como uma espécie de “caixa-preta”, registrando informações ao longo da vida do animal.
“A análise dessas estruturas, compostas por carbonato de cálcio e organizadas em anéis de crescimento é essencial para determinar idade, taxas de crescimento e padrões migratórios da espécie. Após as coletas, a cabeça será taxidermizada para compor exposições e ações de educação ambiental, aproximando a sociedade da importância ecológica e da conservação dessa espécie criticamente ameaçada”, adiantou o professor, que também agradeceu aos coordenadores da base do Projeto Tamar em Arembepe, Landis Petersen e Nathalia Berchieri, pelo apoio na viabilidade dessas ações.
“Parcerias como essa, com instituições com grande reconhecimento na pesquisa e conservação marinha, fortalecem não apenas a produção científica e tecnológica, mas também contribuem na melhor formação dos estudantes”, reforçou Buia.
Projeto com a Ufal
O LIC está vinculado aos cursos de graduação em Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas, além do Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos e o recém-implantado Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais.
Além das atividades de ensino e extensão, o LIC coordena, em Alagoas, o Projeto Meros do Brasil, desenvolvendo ações de pesquisa e educação ambiental nos estados de Alagoas e Sergipe, em parceria com grandes instituições como Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA-AL), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto Biota de Conservação, Projeto Corais de Alagoas, Peld APA Costa dos Corais Alagoas e Projeto Tamar.











