A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) recebeu o primeiro Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC) do estado, uma iniciativa que une sustentabilidade, educação técnica e inclusão digital para populações em situação de vulnerabilidade.
Coordenado pelo Instituto de Inovação e Economia Circular (IEC), o espaço funcionará como uma usina de transformação: computadores descartados por órgãos públicos e instituições financeiras passam por uma triagem, são consertados e, em seguida, doados.
Na cerimônia de abertura, 500 equipamentos já foram destinados a pontos de inclusão digital em colônias de pescadores, escolas públicas e comunidades quilombolas.
Para Weldon Bispo, diretor do IEC-Brasil e coordenador do CRC Maceió, o valor do projeto reside na “recuperação de oportunidades”.
Para além de uma oficina de reparos, o local é um centro de capacitação. A meta é formar pelo menos mil jovens em cursos que vão da informática básica à manutenção de smartphones e mídias sociais para o empreendedorismo.
A estudante de Ciências Biológicas, Glórya Karine, é uma das alunas da primeira turma. Para ela, a gratuidade e a localização dentro do campus são o diferencial.
“Sempre tive dificuldade com informática e sei que esses cursos vão me ajudar tanto na formação quanto no trabalho. Estar dentro da Ufal facilita para quem passa o dia aqui e não tem como se deslocar para outro lugar”, afirma.
Impacto nas comunidades tradicionais
A chegada dos equipamentos recondicionados representa uma mudança de paradigma para as 82 comunidades quilombolas de Alagoas. Representando mais de oito mil pessoas, Margarida Andrade destaca que a tecnologia é, hoje, uma necessidade concreta de sobrevivência acadêmica.

“Muitos jovens não têm nenhum equipamento em casa. Esses computadores permitem que nossos jovens estudem, façam pesquisas e tenham acesso ao mundo digital”, pontua Margarida.
O projeto também ataca o problema do descarte irregular de resíduos eletrônicos. A Ufal passará a recolher aparelhos sem uso de sua própria estrutura, além de aceitar doações de estudantes e da população em geral.
Segundo o pró-reitor de Gestão Institucional, Jarman Aderico, a ideia é mudar a percepção pública. “Aquilo que era lixo passa a ser um bem com potencial de impacto social”.
O reitor Josealdo Tonholo destaca que a iniciativa coloca a universidade em sintonia com a Agenda 2030 da ONU.
“Estamos trabalhando com letramento digital e responsabilidade social. É a universidade cumprindo seu papel de agente transformador”, declarou.
Inclusão na Biblioteca Central
Além do centro de reparos, a parceria com o Ministério das Comunicações viabilizou a instalação de um novo Ponto de Inclusão Digital na Biblioteca Central da Ufal. Equipado com computadores novos, o espaço serve como laboratório para alunos que dependem da infraestrutura da universidade para acessar conteúdos educacionais e plataformas de pesquisa.
A diretora do Sistema de Bibliotecas (Sibi), Cristiane Cyrino, ressalta que o acesso à informação é um direito fundamental.
“Este espaço permite que estudantes que não possuem equipamentos próprios acessem serviços acadêmicos, concursos e toda a produção científica da nossa universidade”, finaliza.










