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Trabalho de professor alagoano vira filme e disputa maior prêmio do cinema nacional em Gramado

Graxa e o Zepelim resgata a memória social dos anos 1930 em produção que concorre ao Prêmio Kikito
O filme foi selecionado para a categoria Curtas Brasileiros na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado (crédito: assessoria da Ufal)
Com 20 minutos de duração, o curta-metragem Graxa e o Zepelim une documentário, musical e ficção científica para retratar a passagem do dirigível Graf Zeppelin pelo bairro do Jiquiá, no Recife, na década de 1930. A obra estabelece uma ponte direta entre esse episódio histórico e as lutas sociais e estratégias de resistência vivenciadas pelos moradores da comunidade na atualidade.

A base socio-histórica que sustentou a produção nasceu da pesquisa de mestrado “Nos tempos dos ‘Charutos Prateados’: um olhar etnográfico sobre a construção de uma antiga base de atracação de Zeppelins como um lugar de referência do Recife”. O estudo investigou a antiga base de atracação dos dirigíveis no Jiquiá e contou com financiamento do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Brasil Plural e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A investigação científica foi conduzida pelo antropólogo Rafael de Oliveira Rodrigues, hoje professor do setor de Antropologia do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ele colaborou na construção do enredo a partir dos dados coletados em seu estudo etnográfico. “O filme nos convida a refletir sobre os problemas sociais e as estratégias de resistência do bairro na atualidade”, destaca Rodrigues.

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Dirigido pelo professor Camilo Soares, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e pelo músico pernambucano Ângelo de Souza, o filme foi selecionado para a categoria Curtas Brasileiros na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que acontece de 12 a 22 de agosto.

Para o pesquisador, a seleção representa uma oportunidade de dar visibilidade às narrativas construídas pela própria comunidade. “Fiquei muito satisfeito com a seleção do curta para o festival, primeiro pelo protagonismo dos moradores do bairro no filme e, segundo, por ter contribuído com minha pesquisa de mestrado. Também pela possibilidade de concorrermos ao Prêmio Kikito e de compartilharmos com o público o que tem sido feito em termos de novas narrativas do cinema brasileiro”, afirma.

A equipe agora projeta a circulação da obra em novas telas. “Estamos na expectativa de divulgar o filme para o grande público em breve, mas precisamos aguardar sua apresentação primeiro nos festivais”, explica o professor.

Além de docente no ICS/Ufal, Rafael Rodrigues é coordenador do Laboratório da Cidade e do Contemporâneo (LACC/Ufal), membro do Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (Naui) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador efetivo do INCT Brasil Plural.

Graxa e o Zepelim foi produzido com recursos do Edital Multilinguagens/Recife Criativo, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (2024).

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