A saúde vive um ciclo de expansão em Alagoas e se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos da economia estadual. Impulsionado pela busca crescente por qualidade de vida, prevenção e bem-estar, o setor lidera a abertura de novos negócios, amplia a geração de empregos formais e estimula o surgimento de empresas voltadas à gestão e à inovação em serviços de saúde.
Dados do Sebrae Alagoas mostram que, em 2025, as atividades de profissionais da área da saúde, exceto médicos e odontólogos, lideraram a abertura de micro e pequenas empresas no estado, seguidas pelos serviços de atenção ambulatorial.
Entre as médias e grandes empresas, o atendimento hospitalar figura entre os principais responsáveis pela criação de empregos com carteira assinada, evidenciando o ritmo de crescimento de uma cadeia que reúne clínicas, hospitais, laboratórios, consultórios e empresas de tecnologia.
Para a analista do Sebrae Alagoas, Anissélia Nunes, esse avanço acompanha mudanças estruturais na sociedade, como o envelhecimento da população e a maior preocupação das pessoas com a prevenção de doenças e a qualidade de vida.
“A saúde ocupa hoje posição de destaque na empregabilidade, atrás apenas da construção civil. É um mercado predominantemente feminino, tanto entre os empreendedores quanto nas contratações, com maior concentração em Maceió, seguida por Arapiraca”, afirma.
Novos serviços
O crescimento da saúde também tem ampliado a demanda por empresas especializadas em apoiar a gestão de clínicas, hospitais e laboratórios. Foi a partir dessa necessidade que a advogada Andressa Targino criou a Targino Med, consultoria voltada exclusivamente para negócios do setor.
Segundo ela, muitos desafios apresentados inicialmente como questões jurídicas tinham origem em falhas de gestão, processos e organização interna.
“Percebemos que vários problemas chegavam ao escritório como demandas jurídicas, mas, na verdade, nasciam de falhas gerenciais e operacionais. Por isso, passamos a oferecer soluções mais completas para as empresas da área de saúde”, explica.
Além da assessoria jurídica e tributária, a empresa passou a atuar nas áreas de gestão financeira, planejamento estratégico, marketing, processos e qualidade, auxiliando principalmente micro e pequenas empresas em fase de expansão.
A médica ginecologista Lícia Porfírio é um exemplo desse movimento. Ao transformar o consultório em uma clínica de atendimento integrado, ela percebeu que administrar um negócio exige conhecimentos que vão além da formação médica.
“A faculdade ensina a cuidar de pessoas, mas não ensina a empreender. Precisei aprender sobre processos, equipe, finanças e experiência do cliente para fazer a clínica crescer”, relata.
Com o apoio do Sebrae, ela realizou um diagnóstico empresarial, estruturou o planejamento e aprimorou áreas como posicionamento de marca e organização da gestão.
“O Sebrae me deu clareza sobre o perfil do meu cliente e mostrou onde estavam os pontos de melhoria. Sempre que preciso estruturar um novo projeto, busco esse suporte”, afirma.
Tecnologia acelera transformação
A inovação também acompanha a expansão do setor. Criada em 2024, a startup HealthChain Brasil desenvolve soluções para tornar o atendimento em saúde mais eficiente por meio da tecnologia.
Entre os projetos está uma ferramenta de inteligência artificial que auxilia na análise de mamografias. Em poucos segundos, o sistema identifica áreas da imagem que merecem maior atenção, oferecendo suporte ao trabalho dos profissionais de saúde.
“A ideia é apoiar a tomada de decisão e tornar o processo mais eficiente. Quando evitamos que uma paciente precise repetir um exame, reduzimos custos, tempo e também o desgaste emocional”, explica o fundador da startup, Reinaldo Alves.
A empresa também opera uma plataforma de telelaudos, utilizada em São José da Laje e em uma unidade hospitalar de Alagoas. A tecnologia permite que exames de imagem sejam avaliados remotamente por especialistas, ampliando o acesso ao diagnóstico em municípios que nem sempre dispõem desses profissionais.
“A HealthChain nasceu da observação de um problema real. A inovação faz sentido quando melhora a rotina dos profissionais e, principalmente, a experiência do paciente”, conclui Reinaldo.









