A proposta do Programa de Apoio aos Estudantes das Escolas Públicas do Estado (Paespe) foi aprovada pelo Ministério da Educação (MEC) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A tecnologia social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que atua como prática de aprendizagem solidária, agora faz parte da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), que congrega 384 cursos chancelados em todo o Brasil.
A lista final dos selecionados no Edital de Chamada Pública nº 01/2025 foi divulgada na terça-feira (17) pelo MEC. Com a aprovação da proposta, os alunos matriculados e com frequência satisfatória no Paespe receberão uma bolsa no valor de R$ 200, destinada a incentivar a permanência em sala de aula.
Além disso, haverá suporte técnico e fornecimento de material didático, visando assegurar a continuidade dos estudos e reduzir a evasão escolar. A CPOP também prevê apoio financeiro para custear atividades técnicas e administrativas, fortalecendo assim a gestão e a execução do programa.
Em entrevista ao Alagoas Notícia Boa (ALNB), a coordenadora-adjunta do Paespe, Geiza Correia, afirmou que aprovação representa uma oportunidade para fortalecer as atividades desenvolvidas pelo Programa e para divulgá-lo em âmbito nacional.
“O Programa de extensão da Ufal já possui cadastro como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil (FBB) e é reconhecido pelo Centro Latinoamericano de Aprendizaje y Servicio Solidario (CLAYSS) como uma prática de Aprendizagem Solidária. No entanto, ainda era necessário estabelecer um vínculo institucional com o Ministério da Educação (MEC)”, explica Geiza Correia.
Ela foi aluna e beneficiária do Paespe em 2004 e, desde seu ingresso na Ufal, atua como coordenadora-adjunta do Programa, contribuindo diretamente para a continuidade e fortalecimento da iniciativa.
O Paespe foi idealizado em 1992 pelo professor Roberaldo Souza como uma iniciativa social, por meio de uma turma de pré-vestibular voltada para jovens em situação de vulnerabilidade. Em 2004, o docente retomou as atividades, transformando-o em um programa de extensão vinculado à Ufal. Em 2022, uma solenidade presidida pelo reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, celebrou os 30 anos do Paespe.
Roberaldo afirmou que, como idealizador do Paespe, sente-se feliz por constatar que, mais uma vez, a iniciativa alcança projeção nacional.
“A aprovação desta proposta junto ao MEC e à Fiocruz nos traz a oportunidade de fortalecer o apoio aos nossos alunos e aos universitários que atuam como voluntários”, disse o professor.
“A cada capacitação em empreendedorismo social, torna-se ainda mais evidente a necessidade de captar recursos externos que garantam a sustentabilidade e a continuidade das ações desenvolvidas pelo Paespe”, acrescentou.
Vulnerabilidade
Geiza Correia informa que o público-alvo do Programa são pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Atualmente, são ofertadas 200 vagas para estudantes do ensino médio, regularmente matriculados em escolas públicas da rede estadual, que participam das turmas de Pré-Vestibular Social e Preparatório para Concursos.

Além disso, adultos — preferencialmente familiares desses jovens — são beneficiados com ações de inclusão digital, fortalecendo o desenvolvimento social e comunitário. A coordenadora acrescenta que o Paespe está alinhado diretamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4 – Educação de Qualidade, além de contribuir com, pelo menos, outros sete ODS da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A missão do Paespe é promover a mobilidade socioeconômica por meio da educação, oferecendo oportunidades de acesso ao ensino superior, qualificação e desenvolvimento social para populações historicamente excluídas”, pontua Geiza Correia.
Próximas ações
Após a aprovação da proposta pelo MEC e a Fundação Oswaldo Cruz, a coordenadora revela que a prioridade será intensificar a articulação junto à Secretaria de Estado da Educação (Seduc), com o objetivo de consolidar o apoio institucional ao Paespe.
Ela lembra que desde sua criação, o Programa tem atuado diretamente no atendimento a estudantes da rede pública estadual, contribuindo para sua formação e ampliação de oportunidades educacionais.
“Por meio dessa parceria, o Programa de Extensão da Ufal busca garantir a sustentabilidade das ações, fortalecendo o vínculo com as escolas e ampliando o impacto social. A formalização desse apoio representa não apenas o reconhecimento do trabalho desenvolvido, mas também um passo estratégico para assegurar a continuidade e a expansão das atividades, beneficiando um número ainda maior de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, disse Geiza Correia.
Construção coletiva
Ao longo de sua trajetória, o Paespe impactou diretamente a vida de mais de 1.500 jovens da rede pública estadual, contribuindo para sua formação educacional e desenvolvimento social. Para a coordenadora, o êxito do Programa está diretamente relacionado à metodologia de intervenção social como prática educativa, fundamentada na aprendizagem solidária.

“Nesse modelo, a solidariedade não é assistencialista, mas sim uma estratégia de construção coletiva do conhecimento, baseada na reciprocidade. A comunidade atendida — representada pelos extensionistas do Paespe — e os estudantes universitários, que atuam como voluntários, participam juntos do processo formativo, aprendendo uns com os outros, e fortalecendo vínculos sociais e acadêmicos”, explica.
“O Paespe se mantém como um programa resiliente, superando desafios, especialmente de ordem financeira, para continuar cumprindo sua missão de promover a mobilidade social e transformar vidas de indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por meio da educação”, finaliza.











