A Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais ganhou um novo e raro visitante. Um elefante-marinho (Mirounga leonina) foi encontrado nessa quinta-feira (12) “repousando” na praia da Barra de Santo Antônio, Litoral Norte de Alagoas.
De acordo com especialistas ouvidos pelo Alagoas Notícia Boa (ALNB), este é apenas o segundo registro da espécie no litoral do estado. O primeiro ocorreu em 2024, na costa de Maragogi, também no Litoral Norte de Alagoas, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais.
Mas quem são esses animais, quais são seus hábitos, qual a sua origem e como explicar a presença deles no litoral alagoano?
“Esses raros casos de elefantes-marinhos na região da APA Costa dos Corais indicam que suas praias estão em melhor condição quando comparadas com outras que sofrem mais com o trânsito de veículos, ocupações irregulares, luzes artificiais e animais soltos, como cães que atacam esses animais”, explicou o professor de Engenharia de Pesca da Ufal/Penedo, Cláudio Sampaio.
De acordo com ele, esses animais são mamíferos marinhos que buscam as praias para descansar e trocar o pelo. Diferentemente de peixes-bois, golfinhos e baleias, eles recorrem regularmente às praias para reprodução e descanso.
Origem
O professor explica que as colônias reprodutivas mais próximas dos elefantes-marinhos estão na Argentina, na região da Patagônia. Também são conhecidas grandes colônias nas Ilhas Malvinas e em outras próximas da Antártica.
“Devido a essa proximidade, a origem mais provável desses animais são essas regiões”, aponta.
Ele informa que os elefantes-marinhos, quando jovens – a exemplo dos dois registrados no litoral alagoano -, são conhecidos pela grande dispersão.
“Quando os jovens saem das colônias com fome e sem experiência, podem seguir alguns cardumes e correntes marinhas, alcançando o litoral brasileiro e, em alguns casos raros, o Nordeste. Contudo, não podemos descartar a influência das mudanças climáticas globais na temperatura da água, na disponibilidade de peixes e lulas ou alterações nas correntes oceânicas, que também podem estimular essas curiosas aparições no litoral alagoano”, ponderou.
Com apenas dois registros desse animal em Alagoas, Sampaio ressalta que ainda não é possível tirar muitas conclusões. Segundo ele, sabe-se que, nos últimos anos, muitos indivíduos dessa espécie morreram por causa da gripe aviária em suas colônias reprodutivas e que as mudanças climáticas globais também podem influenciar a disponibilidade de alimento e as correntes marinhas.
“O fato de dois elefantes-marinhos terem sido observados em Alagoas, na APA Costa dos Corais, pode sim sugerir um melhor estado de conservação dessa região”, reforçou, fazendo um alerta.
“Esses animais são grandes, pesados e podem estar exaustos ou doentes. Então, caso encontre algum na praia, mantenha distância, faça silêncio e comunique o mais rápido possível aos órgãos competentes, como ICMBio, Ibama, IMA e Ufal, com destaque para o Instituto Biota, que realiza o monitoramento sistemático das praias e possui um centro de reabilitação de animais marinhos”, ressaltou.
Biota
Logo que foi informado sobre o surgimento do animal, o Instituto Biota enviou uma equipe ao local. O diretor-presidente da instituição, Bruno Stefanis, informou que o elefante-marinho encontra-se bem de saúde, apesar de apresentar pequenas mordidas provocadas por algum predador.
Os técnicos do instituto chegaram ao local pela manhã e deixaram a área no início da noite. O monitoramento deve ser retomado nesta sexta-feira (13). Stefanis esclareceu, no entanto, que se o animal não necessitar de cuidados, a equipe não fará nenhuma intervenção até que ele retorne ao mar e siga seu caminho.
“A ideia é fazer o mínimo de intervenção possível e, se for necessário, tentar resolver na própria praia, para não levar o animal ao cativeiro e condená-lo ao isolamento por toda a vida”, afirmou, reforçando que as pessoas evitem manter contato com o elefante-marinho.
“A recomendação, basicamente, é essa: contemple de longe. Entre em contato com o Instituto Biota, que vamos verificar se o animal vai precisar de alguma intervenção. E vamos garantir que ele curta Alagoas e que sua passagem por aqui seja a mais tranquila possível”, concluiu.
Esses são os números do Instituto Biota: (82) 99115-2944 / (82) 99115-5516 / (82) 98815-0444.










