O físico e físico médico Matheus dos Santos Farias, nascido em Arapiraca (AL) e criado em Girau do Ponciano, desenvolveu, no âmbito de sua pesquisa no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/USP), uma formulação matemática capaz de prever a evolução do tamanho de nanopartículas de ouro, incluindo perspectivas para estudos futuros com nanopartículas radioativas voltados à nanobraquiterapia e a pesquisas relacionadas ao câncer de próstata.
O trabalho reúne conhecimentos de física teórica, física médica, matemática, biomatemática, nanotecnologia, química e computação, dando origem ao Modelo Padrão Farias (MPF).
A proposta é utilizar uma equação diferencial para representar matematicamente a evolução temporal do diâmetro das nanopartículas e permitir a investigação de diferentes condições de formação dessas estruturas.
A pesquisa representa uma aproximação entre a matemática e aplicações biomédicas, abrindo possibilidades para estudos futuros envolvendo nanopartículas de ouro e aplicações em saúde.
O modelo ainda está no âmbito da pesquisa científica e não constitui, atualmente, um tratamento disponível para pacientes, mas pode contribuir para etapas de planejamento e investigação de futuras aplicações.
Uma trajetória que começou com dificuldades em Matemática
Apesar do resultado alcançado hoje, Matheus conta que sua relação com a Matemática nem sempre foi fácil.
“Lembro como hoje que, na infância, eu tinha muita dificuldade com Matemática. Cheguei a ter dificuldade até mesmo com as quatro operações.”
Nesse período, sua madrinha Ângela teve um papel importante, ajudando-o com as quatro operações, que nem isso ele sabia fazer.
Por isso, o pesquisador faz questão de destacar que Matemática não é uma área reservada a gênios.
“Matemática é para quem se dedica. Assim como qualquer outra área, ela exige estudo, persistência e disposição para aprender.”
Segundo Matheus, sua trajetória foi marcada justamente pela decisão de enfrentar aquilo que inicialmente parecia desconhecido e difícil. Foi nesse processo que ele passou a enxergar a ciência como uma possibilidade de transformar limitações em novas oportunidades.
Gratidão aos professores
O pesquisador também faz questão de reconhecer as professoras que marcaram sua formação, especialmente Rita, do Ensino Fundamental I, Amanda, de Matemática no Ensino Fundamental II, e Márcia, professora de Ciências.
“Sou muito grato às professoras que fizeram parte da minha formação e que foram grandes inspirações para mim. Muitas vezes, a gente só percebe depois o quanto um professor pode mudar o caminho de uma pessoa.”
A inspiração também veio da literatura e da ideia de se lançar ao desconhecido. Em referência à obra de Clarice Lispector, Matheus afirma que sempre buscou não ter medo de entrar em territórios que ainda não conhecia.
“Eu mergulhei de cabeça no desconhecido. E acredito que esse mergulho é para todos. Não é preciso nascer sabendo para fazer ciência; é preciso ter coragem para aprender.”
Ciência, bolsa e colaboração internacional
Matheus também destaca a importância do financiamento recebido durante sua formação. Ele agradece especialmente à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pela bolsa que possibilitou o desenvolvimento de sua pesquisa.
O trabalho também contou com parceria internacional com Emmanuel Agunloye, da University College London (UCL), no Reino Unido, contribuindo para a revisão e discussão da parte matemática da pesquisa.
Além disso, o pesquisador possui patente registrada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) relacionada ao desenvolvimento do processo de controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas.
“Sou profundamente grato a todos que fizeram parte dessa trajetória: meus professores, minha família, meus colaboradores e às instituições que acreditaram na pesquisa. A ciência abriu portas que, quando eu era criança, eu sequer imaginava que poderiam existir.”
Fonte: Maceió Notícias










