Em um ano de grandes avanços para o judô alagoano, a Associação dos Faixas Pretas de Alagoas (AFPA) encerrou 2025 com a promoção de 580 judocas nas mais diversas categorias. Além disso, foram formados três novos faixas-pretas pela entidade: os senseis Letícia Silva Nunes, Júlio César Araújo Tavares e Celson Antônio dos Santos.
A conquista só foi possível graças ao esforço e à metodologia aplicada pelos seus professores (senseis), que estão distribuídos entre os quatro polos do clube e escolas parceiras.
As cerimônias de trocas de faixas e entregas de certificados iniciaram-se com os novos senseis, em evento promovido pela Comissão Estadual de Graduação da Federação Alagoana de Judô (FAJU), realizado no Auditório Lauthenay Perdigão, da Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude (SELAJ).
Para o presidente fundador da AFPA, sensei Weydner Wellinsson da Silva, este é um momento de grande crescimento para a modalidade, para a instituição e para os atletas em geral.
“Estamos chegando a um momento de grande maturidade da AFPA e estamos todos muito orgulhosos em ver as sementes que plantamos dar frutos. É uma história de muita luta, mas sempre acreditando que o judô transforma vidas, promovendo saúde, bem-estar, cidadania, inclusão e, também, perspectivas de vida para quem se dedica. Estes três novos faixas-pretas chegaram cedo até nós por caminhos distintos, mas são três grandes histórias, com possibilidades de irem muito mais longe, contando sempre com a AFPA. Esta é a nossa torcida”, revela Weydner.

Três grandes histórias
Símbolo de maturidade, dedicação e domínio técnico desta reconhecida arte marcial japonesa, a conquista da faixa preta no judô coroa a trajetória de três jovens promissores: Letícia Nunes, a primeira sensei mulher formada pelo clube; Julio Cezar, primeiro medalhista regional do clube (Paraíba, 2019); e Celson Antônio, ex-aluno de um projeto social do município de Porto de Pedras-AL.
Letícia teve como professor de base o seu tio, Landerson — um dos sócios-fundadores e membro da diretoria da AFPA. Ela chegou à Associação em 2018, ainda na faixa amarela, quando a sede funcionava no Clube Fênix Alagoana.
Lá, encontrou seu grande parceiro de tatame, Pedro Anísio, que se tornou o primeiro sensei formado pela AFPA, mas teve sua promissora vida interrompida por questões de saúde.
Pedro deixou sua marca registrada na entidade (o dojô do Polo Cruz Vermelha leva seu nome) e nos amigos, entre eles “Lê”, agora a primeira faixa-preta feminina da AFPA, com participações de destaque em competições estaduais e nacionais.
“O judô me ensina muito a ter disciplina e foco. Sou uma pessoa que me cobra muito. Agora estou aliviada. Na verdade, eu não ia mais fazer o exame porque, além de uma lesão no ombro, tive a perda do Pedro, que era meu maior incentivador. Onde um estava, o outro estava junto. Os planos eram estudarmos juntos para a faixa preta. Após a partida precoce dele, desisti. Mas, conversando com o pai dele, resolvi fazer o exame por ele. Lembrei dele do início ao fim. Tenho certeza de que, se ele estivesse aqui, estaria lá”, revela Letícia, emocionada.
Outro jovem inspirador é Julio Cezar. Focado e comprometido, iniciou no judô aos seis anos, no Colégio Nossa Senhora Aparecida, com o professor Diego Henrique. Em seguida, foi para o Colégio Cristo Rei, onde conheceu Weydner, que o apresentou ao projeto da Associação.
“Desde então, não parei mais. Acumulei títulos estaduais e interestaduais e sou o primeiro medalhista brasileiro regional da Associação. No ano passado, fui eleito representante dos atletas, o que me deixou muito honrado. Sou grato por tudo que o judô e a AFPA me proporcionaram”, garante Julio.
A história de Celson também é fonte de inspiração. Iniciou no judô em 2008, em um projeto social em Porto de Pedras, onde hoje atua como professor de Educação Física e instrutor do polo do próprio projeto que o revelou.
“Não é uma conquista apenas pessoal, mas de todo o grupo do Polo Porto de Pedras e do município, pois sou o primeiro faixa-preta formado na cidade. A AFPA representa desafios e família. Agora é seguir para novos aprendizados”, afirma Celson.
Com essas graduações, o clube passa a contar com 10 senseis: Diego Henrique, Carlos Sandes, Adilson Alves, Janiere e Weydner Wellisson (Maceió); Celson Antônio e Weydner (Porto de Pedras); e Wbiratan Fernandes (Teotônio Vilela).

Mais Conquistas
Além das graduações, a entidade conquistou o vice-campeonato alagoano pela FAJU e classificou 24 atletas para o Brasileiro Regional. No evento “Melhores do Ano FAJU 2025”, a AFPA foi reconhecida como um dos clubes “Top 3” do estado.
A instituição também teve dois atletas convocados para a seletiva nacional da CBJ e recebeu o prêmio de “Amiga do Desporto Escolar” pela Federação Alagoana de Esportes Escolares (FAEC).
Segundo o coordenador de projetos, Carlos Sandes, o sucesso de 2025 é fruto de planejamento técnico e um olhar que vai além do esporte, incorporando o cunho social e o envolvimento das famílias.
“Investimos na capacitação e mantivemos presença ativa em fóruns estaduais e nacionais. O próximo ano não será diferente; estamos nos preparando para resultados ainda mais consistentes”, garante Sandes.










