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Conexão Informática: projeto de jovem alagoano democratiza acesso à tecnologia no Sertão

Com workshops de robótica e cursos de programação, a iniciativa já impactou mais de 1.200 pessoas em oito municípios alagoanos.
Conexão Informática começou em 2022, com palestras (crédito: cortesia)

Da comunidade da Passagem do Roque, em São José da Tapera (AL), para o mundo digital, a história de hoje é sobre um jovem alagoano que tinha um sonho: levar o mundo da tecnologia aos jovens do Sertão e romper barreiras onde o acesso à tecnologia ainda é um desafio.

Desse sonho nasceu o Projeto Conexão Informática. A iniciativa, criada pelo professor e programador Diogenan Lima, vem mostrando o universo da tecnologia diretamente para escolas e comunidades em 8 cidades alagoanas e com projetos para expandir ainda mais esse conhecimento.

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O projeto é gratuito e foca em despertar nos jovens o uso da tecnologia como uma ferramenta para transformar o mundo ao seu redor. Com duas frentes, a iniciativa oferece duas modalidades: o workshop e o curso.

No primeiro momento, o Conexão Informática expõe e abre uma roda de conversa sobre robótica, realidade virtual, inteligência artificial e hardware. O segundo momento se torna algo mais específico, com aulas que duram de 4 a 6 meses, podendo ser sobre Web ou Python.

Ao longo de seis meses, os participantes aprendem a construir páginas web com HTML e CSS, desenvolvem o raciocínio lógico necessário para resolver problemas e dão os primeiros passos na programação com uma das linguagens mais versáteis do mercado: o Python.

O projeto Conexão Informática funciona da seguinte forma: o Diogenan vai às unidades escolares e comunidades, faz uma visita, conversa com os funcionários e alunos para conhecer a realidade do local, faz o Conexão Experience (versão menor) ou a versão completa, dependendo do tamanho da escola. 

Caso o aluno tenha o interesse individualizado, pode optar pelo curso de maior extensão. A ideia de Diogenan é montar uma equipe de programadores.

As unidades de ensino que se interessarem em disponibilizar o curso podem entrar no site https://projetoconexao.com.br/ e contactar o Diogenan. Os alunos interessados em manter as aulas participam de um grupo à parte onde, duas vezes por semana, se reúnem para estudar programação e desenvolver soluções.

Diogenan ministrando um curso de Python no IFAL (crédito: cortesia)

“Os estudantes já desenvolveram ferramentas úteis; atualmente tem quatro: remover fundo de imagem, converter PDF para Word, gerar QR Code e baixar vídeo, além de uma IA treinada para responder perguntas sobre o projeto. A de baixar vídeo é a mais usada, principalmente pelos professores. Mas já estamos desenvolvendo mais ferramentas para serem adicionadas em breve”, garante Diogenan.

Incentivo e escolha da profissão

A experiência dos cursos de workshop foi decisiva para o futuro de Everton Farias, que assistiu o workshop em 2023 e em 2024 entrou para o Projeto Conexão onde também compartilha conhecimento, estuda até hoje.

“Para mim, o projeto foi um ponto de virada. Não foi só aprender tecnologia na teoria, foi ir lá e fazer, ensinar outras pessoas e ver na prática a diferença que isso faz. No projeto Conexão, o que mais me marcou foi justamente isso, dar oportunidade para quem às vezes não teria acesso. Eu acho isso algo muito incrível, porque é algo que realmente pode mudar o rumo da vida de alguém, assim como mudou a minha visão também”.

A mudança de visão influenciou na escolha da profissão de Everton.

“Hoje eu estou cursando Análise e Desenvolvimento de Sistemas, e o Diogenan teve, sim, muita influência nisso. Ele sempre me incentivou; mais do que só falar, ele mostrou na prática o quanto a tecnologia pode abrir portas, e isso acabou me dando mais certeza do caminho que eu queria seguir profissionalmente”, relata Everton.

Alunos durante uma reunião semanal (crédito: cortesia)

Outra estudante que fez os cursos de HTML e CSS foi a Luanna Santos, que desde 2022 integra o projeto e passou por todas as fases.

“É uma experiência única, muitos desafios, um mundo novo. Quando eu era criança, nunca imaginei entrar para essa vida de programadora e hoje, dentro do projeto, vejo que isso é possível. São desafios bons, desafios que realmente me desafiam: estudos, projetos, workshops. Eu me identifico bastante com a parte de front-end; é um mundo de design, cores, estratégias de layout”, destaca.

Como tudo começou

O projeto começou oficialmente em 2022, de forma tímida, mas foi ganhando maiores proporções. 

“Comecei inicialmente com o intuito de ajudar os professores a aprender a usar melhor as ferramentas tecnológicas, mas como não tive apoio na época, em 2022, fiz aberto para a comunidade e alunos. Foi algo voltado mais para desmistificar a tecnologia/informática; fiz algo voltado para eles conhecerem um computador, coisas simples, como as peças e para que servem”, lembra.

A partir daí, a metodologia usada por ele foi chamando atenção de profissionais da educação. “Os professores que assistiram gostaram muito e indicaram para levar para a escola estadual, informando a dificuldade dos alunos em usarem os computadores; três meses depois, fizemos uma versão do projeto maior para mais de 200 pessoas”, conta Diogenan.

Diogenan em uma de suas palestras (credito: cortesia)

Um tempo depois, Diogenan apresentou a proposta do curso para o diretor do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) em Santana do Ipanema e lá, também, fez outro workshop. 

“Até ali era apenas apresentação, mas no final de 2023 comecei a ensinar programação para os integrantes do projeto. Em 2024, comprei um óculos de realidade virtual, conhecido como Meta Quest/Oculus VR. Depois, trouxe um amigo meu para palestrar em Batalha e fizemos uma edição grande. Como atingíamos escolas grandes, resolvi fazer uma versão mais compacta para ir a escolas menores, sem minha palestra, apenas workshop e alguns dos alunos falando sobre IA. Já fizemos ano passado aqui e este ano em Olho d’Água das Flores”, lembra.

Hoje o projeto já chegou a mais de 1.200 pessoas através do workshop e mais de 40 pessoas já finalizaram os cursos.

História de superação

A história de Diogenan acontece muito antes do amor pela programação e pela vontade de ensinar. Tudo começou na comunidade Passagem do Roque, a 242 km de Maceió.

“Sou do sertão e demorei para ter esse tipo de oportunidade. Tive acesso ao computador pela primeira vez aos 16 anos, na escola. Depois, minha mãe comprou um, eu já tinha uns 19 e nem internet tinha. Sempre fui curioso; depois do básico fiz um curso de manutenção, trabalhei em escola, ensinei informática e os olhos dos alunos brilhavam. Em 2013, a escola em que eu trabalhava me deu uma bolsa para eu estudar TI”, frisa.

Programador usa sua história de vida para inspirar outros jovens

Diogenan lembra ainda dos projetos pequenos que desenvolveu com seu irmão. “E antes disso tudo, eu e meu irmão abrimos uma escola de informática em 2010. Mesmo com toda dificuldade, mesmo ‘atrasado’, eu tive oportunidades. O projeto é uma extensão desse jovem que, por essa trajetória, pode inspirar novas possibilidades aqui para a região”, conta.

As possibilidades que Diogenan leva para os jovens do sertão já vêm se tornando realidade.

“Assim como a tecnologia, me sinto uma ferramenta que está cumprindo o propósito. Não posso dizer que estou realizado porque sei que ainda tenho muito chão a percorrer. Mas me sinto imensamente feliz e grato por cada semente que está brotando. Sou grato a Deus por tudo”, agradece.

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