A pequena Eliza, de Alagoas, ganhou corações ao redor do mundo com uma cartinha simples, escrita com letras grandes e caprichadas, cheia de sonhos. Nela, a menina pede um planeta mais verdinho e saudável, onde as crianças podem correr livres, brincar na grama e ouvir o barulhinho dos rios limpos.
O bilhete da Eliza foi uma entre 1.300 mensagens enviadas por crianças de todas as regiões do Brasil para a pré-COP30, o encontro que prepara a cúpula do clima da ONU, marcado para novembro, em Belém (PA).
As cartinhas foram reunidas pela ONG Alana e pelo Unicef, com apoio da presidência da COP30. A ideia é simples e bonita: tocar o coração de negociadores e líderes do mundo, lembrando que a crise climática pesa mais nas comunidades mais vulneráveis — e que o futuro das novas gerações está em jogo.
Entre desenhos coloridos e frases curtas, surgem pedidos que dizem muito.
“Os senhores têm que se unir para preservar a Amazônia”, escreveu Mariana, 12 anos, de Minas Gerais. Já Sara, 15 anos, da Paraíba, lembrou com firmeza: “o racismo ambiental é uma barreira para a construção de um futuro climático mais justo e sustentável para todos”.
Mas foi uma mensagem vinda de Alagoas que deixou muitos olhos marejados. Com toda a doçura da escrita infantil, Eliza resumiu um desejo gigante: “futuru lindo cheio de árvores e rios linpos”. É a tal da esperança climática — a capacidade das crianças e adolescentes de enxergar um amanhã melhor, mesmo quando o mundo parece difícil.
Recado
Durante o evento em Brasília, diplomatas receberam as cartas junto com um recado do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reforçando algo essencial: é preciso ouvir as crianças e adolescentes, porque são eles que vão viver por mais tempo as consequências das decisões tomadas agora.
A pré-COP30 acontece pertinho da conferência principal, que será de 10 a 21 de novembro, em Belém. Esse encontro preparatório ajuda os países a alinharem posições e afinarem as propostas que vão para a mesa na cúpula oficial.
Em meio a tantos pedidos, um lembrete carinhoso veio do Pará, na letra de Gustavo, de 16 anos: “O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. Amar é conservar.” Que os adultos ouçam — e cuidem, com carinho, do futuro que essas crianças já sabem imaginar.











