“Eu já tinha feito outro curso antes, em outra instituição, mas acabei desistindo. O principal motivo foi que eu não consegui fazer amizades lá, não me senti acolhido. Aqui no Senac é diferente. As pessoas me acolhem mais, participam comigo e me incluem. No outro lugar, eu sentia que as pessoas não se importavam muito” relata Matheus Alves, de 20 anos, aluno do curso Técnico em Recursos Humanos do CEP Carlos Milito, em Maceió.
O depoimento do jovem vem acompanhado de um tema muito importante celebrado em 2 de abril (quinta-feira): o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. A data foi instituída pela ONU em 2007 para informar, reduzir preconceitos e promover a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A data é um símbolo na busca pela aceitação, garantia de direitos e no valor da neurodiversidade na sociedade.
Dentro do Senac Alagoas, ressalta a instituição, esses valores vêm alinhados à transformação de vidas por meio da Educação Profissional.
Matheus destaca os aprendizados durante o curso e a evolução interpessoal adquirida dentro do Senac.
“Para outras pessoas autistas que querem estudar ou trabalhar, eu indicaria fazer um curso como o de Recursos Humanos. É um curso que ajuda a aprender sobre organização, liderança, comunicação e pode abrir portas para conseguir um emprego e atuar em empresas. Depois que comecei o curso, percebo mudanças na minha vida. Antes eu era mais tímido, e agora já consigo me comunicar melhor e me envolver mais nas atividades”, diz Matheus.
Na sala de aula
No Senac Alagoas, a inclusão de alunos neurodivergentes começa ainda no processo de matrícula, antes mesmo da chegada às salas de aula, quando há um acompanhamento e diálogo com o setor pedagógico e educacional para o devido acolhimento.
“É fundamental sabermos previamente que iremos receber um aluno neurodivergente. A partir disso, buscamos conhecer o perfil desse aluno, conversando diretamente com ele para compreender melhor o seu grau dentro do espectro autista, suas necessidades e a melhor forma de interação. Esse primeiro contato é essencial para que possamos entender como nos comunicar e acolhê-lo adequadamente”, explica a instrutora Juciene dos Santos.
Para ela, que vem acompanhando o desenvolvimento de Matheus ao longo do curso, o jovem é um exemplo de como a inclusão pode gerar frutos .
“Hoje, ele demonstra interesse em se tornar professor de inglês. Ele é autodidata e já possui bastante domínio do idioma. Em uma das primeiras apresentações, para se sentir mais confortável, optou por gravar sua fala. Embora a atividade fosse em português, ele apresentou em inglês, o que o deixou mais seguro. Ele precisa ser estimulado a se expressar. Por isso, buscamos sempre incentivá-lo, perguntando sua opinião e promovendo sua interação. Com esse estímulo, ele responde e participa mais ativamente”, diz.
Ainda segundo Juciene, é importante que as empresas compreendam que não se trata apenas de cumprir cotas, mas de valorizar profissionais que têm muito a contribuir.
“Pessoas no espectro autista podem trazer habilidades importantes, como foco, dedicação, olhar diferenciado e até competências específicas, como no caso do Mateus, com o domínio do inglês. Além disso, a convivência com a diversidade também desenvolve outras competências nos demais profissionais, como paciência, empatia, respeito às diferenças e trabalho em equipe. Tudo isso contribui para um ambiente organizacional mais saudável e produtivo”, ressalta.
Multitude EDU
O compromisso com a inclusão, diversidade e equidade está estruturado nas políticas institucionais do Senac Alagoas, que orientam a atuação pedagógica e organizacional, assegurando condições de acesso, permanência e desenvolvimento com qualidade, especialmente para públicos que historicamente enfrentam barreiras no processo educacional e no mundo do trabalho, destaca a instituição.
Nesse contexto, destaca-se o Programa Multitude Edu, iniciativa do Departamento Nacional do Senac, que se consolida como a principal referência institucional para a promoção da cultura de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
O programa atua como eixo estruturante das práticas educacionais, orientando a implementação de ações formativas, a revisão de processos e a construção de ambientes mais acessíveis, acolhedores e inclusivos.
A pedagoga e analista de educação do Senac Alagoas, Manuella Oliveira, explica que essas políticas atuam alinhadas com a gestão de permanência.
“O Multitude Edu fortalece o letramento das equipes, a incorporação de práticas pedagógicas inclusivas e a ampliação de estratégias que garantam não apenas o acesso, mas a permanência qualificada e o desenvolvimento integral dos estudantes e das estudantes”, afirma.









