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Maceió bate recorde de vendas de apartamentos em dez anos

Capital comercializou 6.285 unidades em 12 meses, movimentando R$ 3,78 bilhões; vendas cresceram 17% no 1° semestre
Para Lauro Braga, parte dos compradores também passou a buscar imóveis como forma de gerar renda e construir patrimônio

Maceió alcançou o maior volume de apartamentos vendidos desde o início da série histórica acompanhada pela Brain Inteligência Estratégica, há cerca de dez anos. Nos últimos 12 meses, foram comercializadas 6.285 unidades na capital alagoana, movimentando R$ 3,78 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV).

Somente no primeiro semestre de 2026, cerca de 3 mil apartamentos foram vendidos, um crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2025. Os lançamentos também avançaram: foram 2.307 novas unidades entre janeiro e junho, alta de 27% sobre as 1.810 registradas um ano antes.

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Os números revelam um mercado em expansão, mas com diferenças entre os tipos de imóvel. Studios, lofts e apartamentos de um dormitório representam 39% do estoque disponível. Segundo a Brain, apenas 19,4% das unidades colocadas no mercado nesse segmento permaneciam à venda no período analisado.

Moradia e geração de renda

Para Lauro Braga, consultor em investimentos imobiliários e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, parte dos compradores também passou a buscar imóveis como forma de gerar renda e construir patrimônio.

“Quem compra para investir faz uma conta diferente de quem procura um imóvel para morar. Não basta perguntar quanto aquele imóvel pode valer daqui a alguns anos. É preciso saber se existe demanda para locação, qual ocupação ele consegue manter, quanto custa operar e quanto realmente sobra para o proprietário. Faturamento e rentabilidade são coisas diferentes”, explica.

Na carteira de clientes da Jarvis, compradores de outros estados ou do exterior representam 14% do total. Dentro desse grupo, 69% adquiriram imóveis para investimento, metade pagou à vista e 69% já possuíam pelo menos um imóvel.

Em Maceió, a atividade turística amplia as possibilidades de locação por curta temporada. O retorno, porém, depende da ocupação ao longo do ano e de despesas como condomínio, administração, manutenção e impostos.

“Uma diária alta no verão não diz quanto aquele imóvel rende no ano. O investidor precisa saber quantos dias consegue ocupar a unidade e qual é o comportamento da demanda fora da alta temporada”, afirma Braga.

Crescimento varia entre os segmentos

O avanço das vendas ocorre em um cenário de preços elevados. Em agosto de 2026, o Índice FipeZAP apontou preço médio anunciado de R$ 9.974 por metro quadrado em Maceió, o maior entre as capitais do Nordeste.

Já os imóveis de alto padrão responderam por 7% dos lançamentos no primeiro semestre, após terem alcançado cerca de 20% em períodos anteriores. A Brain também identificou 354 unidades lançadas com preços entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, das quais 124 ainda estavam disponíveis.

Para Braga, o desempenho geral do mercado deve ser avaliado junto às características de cada imóvel e aos objetivos do comprador.

“Um mercado vendendo mais não significa que qualquer imóvel virou um bom investimento. É preciso entender onde existe demanda, quem é o público daquele produto e qual objetivo o comprador quer alcançar”, conclui.

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