O audiovisual e a tecnologia de Alagoas ganharam as telas de todo o Brasil. Quatro filmes alagoanos estão representando o estado na Tela Brasil, nova plataforma digital federal de streaming lançada no último sábado (30), na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. O projeto tem um sabor ainda mais especial para o estado: toda a tecnologia da plataforma foi desenvolvida pelo Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sob a coordenação do Ministério da Cultura.
Totalmente gratuito, público e livre de anúncios, o serviço reúne cerca de 555 obras nacionais com o objetivo de democratizar o acesso à cultura. O acesso é simples e integrado à conta Gov.br.
De acordo com um levantamento do portal Alagoar, as obras que levam a identidade alagoana para o catálogo são: Ponto das Ervas (dir. Celso Brandão); Comunidades negras quilombolas de Alagoas (dir. Sandreana Melo e Christiano Barros); Diafragma (dir. Robson Cavalcante) e Na Ponta do Palito (dir. Madlene Delfino)
Ainda que a plataforma contemple formalmente um filme alagoano selecionado via edital direto nesta primeira fase, o ecossistema do estado se faz presente e novas produções locais devem ser incorporadas futuramente, como aponta a vice-coordenadora do projeto e professora da Ufal, Luciana Santa Rita.
Ciência alagoana a serviço da cultura
A construção da Tela Brasil começou em dezembro de 2023 e mobilizou, ao longo de cerca de dois anos, mais de 80 pesquisadores, desenvolvedores, técnicos e estudantes de diversas instituições públicas do país, com a Ufal liderando o processo de arquitetura, acessibilidade e preservação digital.
Para Luciana Santa Rita, o projeto fortalece a ponte entre a academia e a sociedade, criando uma solução genuinamente nacional que reduz a dependência de tecnologias estrangeiras. “Trata-se de inovação tecnológica voltada para a acessibilidade digital e para estudos de preservação que fortalecem a memória audiovisual do país”, pontua a professora.
Entre os destaques do catálogo está o curta-metragem “Na Ponta do Palito”, dirigido pela maceioense Madlene Delfino. Com 11 minutos de duração, o documentário — que já estreou na plataforma alcançando o primeiro lugar nas categorias Arte e Documentário e segue no Top 10 geral — oferece um retrato sensível do mestre artesão Arlindo Monteiro. Gravado no Mercado do Artesanato, em Maceió, o filme acompanha o processo do artista em transformar fibras de cascas de árvores em esculturas oníricas.
A obra carrega uma forte carga afetiva para a diretora, que cresceu frequentando o mercado por conta da loja de seus pais. “Poder retribuir de alguma forma e contar essa história é muito significativo”, relata Madlene, que se formou em Gestão de Turismo pelo Ifal antes de seguir os caminhos da produção audiovisual.
Desde seu lançamento em 2023, o curta já percorreu dezenas de festivais nacionais e internacionais de cinema. A seleção para a Tela Brasil veio em 2025, por meio de edital federal. “Nós recebemos essa notícia há alguns meses e a expectativa estava alta. Ver a estreia acontecer foi muito especial”, conta a cineasta.
Para Madlene, ver a história do mestre Arlindo ganhar o país é uma oportunidade de quebrar estereótipos e mostrar a força da identidade alagoana além dos cartões-postais.
“É um marco importante para o cinema nordestino. Uma forma de colocar Alagoas nesse mapa e mostrar que o estado não é apenas um destino de praia e sol, mas também um lugar de artistas com histórias relevantes. Esse trabalho mostra que aqui existe um audiovisual forte, que preserva e valoriza a memória de maneira muito sensível”, conclui a diretora.








