Uma pesquisa inovadora desenvolvida na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) está ajudando a ciência mundial a compreender um dos maiores desafios ambientais da atualidade: o impacto dos microplásticos no corpo humano. O estudo, que investiga como essas partículas minúsculas afetam a placenta — órgão essencial para o desenvolvimento dos bebês —, ganhou destaque recente no prestigiado congresso da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq).
O trabalho foi apresentado por Ashley Sousa, pesquisadora do Mestrado em Ciências da Saúde da Ufal. A investigação nasceu no Laboratório de Biologia Celular (LBC/Ufal), em uma cooperação internacional que envolve o Núcleo de Pesquisa e Análise em RMN da instituição alagoana e o Placenta-LAB, um laboratório de ponta coordenado por pesquisadores na cidade de Jena, na Alemanha.
O estudo, que conta também com a colaboração do doutorando Edmilson Rodrigues (Ufal) e da pós-doutoranda Stephanie Ospina-Prieto (Alemanha) — utiliza ferramentas avançadas para mapear as alterações que altas concentrações de plástico geram no funcionamento da placenta.
“Nosso objetivo principal é esclarecer esses efeitos e preencher essa lacuna existente na literatura científica, elucidando os impactos reais dos microplásticos na placenta humana”, destaca Ashley.
Orgulho da ciência alagoana
Levar um trabalho desse nível para um evento nacional representou não apenas um marco na formação da estudante, mas também uma vitrine para a qualidade do que é produzido no estado. Parte dos experimentos foi realizada no Laboratório de Bioenergética da Ufal, sob a coordenação da professora Ana Catarina.
“Levar minha pesquisa para fora do estado e mostrar que produzimos ciência de qualidade e com alto nível de tecnologia, apesar dos desafios enfrentados diariamente, foi motivo de muito orgulho”, ressalta a mestranda, que teve a oportunidade de colher sugestões e contribuições de especialistas de referência nacional e internacional durante o congresso.
O que isso muda no futuro?
A relevância do estudo vai muito além dos muros da universidade e toca diretamente na saúde coletiva e na preservação da vida. Longe de apenas apontar um problema, a pesquisa alagoana foca na solução.
“Os resultados podem contribuir para a identificação de biomarcadores e para o desenvolvimento de estratégias futuras de monitoramento e proteção da saúde materno-fetal diante da crescente exposição ambiental aos plásticos”, explica Ashley. Em termos práticos, o estudo ajuda a criar a base para que a medicina do futuro saiba exatamente como proteger grávidas e bebês.
E as boas notícias não param por aí: essa linha de investigação científica segue ganhando força e se expandindo dentro da Ufal. Atualmente, o grupo de pesquisa já conta com dois projetos de doutorado, um de mestrado e quatro de iniciação científica em andamento, consolidando Alagoas como um polo de relevância no estudo da saúde humana.








