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Produção pioneira de lúpulo em União dos Palmares conquista prêmio nacional de qualidade

Fazenda Sete Léguas garante o 2º lugar na Copa Brasileira de Lúpulos e impulsiona o mercado regional com a primeira cerveja feita com insumos 100% alagoanos
O pioneirismo de Aluysio Righetty já colhe frutos consolidados (crédito: Júlio Vasconcelos)

Em meio à vegetação nativa da Zona da Mata alagoana, um cultivo inovador tem despertado a atenção de empresários, pesquisadores e mestres cervejeiros. A Fazenda Sete Léguas, em União dos Palmares, realizou recentemente o dia de campo “Colheita do Lúpulo”, proporcionando uma imersão no manejo e nos aromas de uma das principais matérias-primas da cerveja, cultivada de forma pioneira no estado.

Organizada pela empresa Hoop Is All, do agricultor Aluysio Righetty, com apoio do Sebrae Alagoas, a visita técnica reuniu produtores de Alagoas e Recife, além de representantes do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE) e do Instituto Ceres.

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O tour, conduzido por Righetty, apresentou a evolução do projeto iniciado em 2022. O público conheceu desde o viveiro experimental — que conta com cerca de 500 plantas de variedades como Zeus, Vista, Triumph, Nugget e Saaz — até a nova área de expansão, onde mais de mil mudas estão em crescimento. O percurso terminou na central de beneficiamento, responsável pela secagem e embalagem do insumo.

A grande virada de chave da propriedade foi a recente modernização da área de secagem e a implementação do processo de peletização. A tecnologia resolve gargalos históricos de logística e oxidação que dificultavam o comércio da flor in natura.

“Nossa meta é aumentar a aderência das cervejarias de grande escala e expandir essa cultura por todo o Nordeste”, destaca Chiara Barros, mestre cervejeira e engenheira química do Instituto Ceres, que acompanha o projeto desde o início. “Ter uma matéria-prima local, fresca e com o nosso terroir faz toda a diferença para o DNA da cerveja nordestina, garantindo sustentabilidade e independência frente às crises globais de preço.”

O pioneirismo de Aluysio Righetty já colhe frutos consolidados. A Fazenda Sete Léguas conquistou o 2° lugar na categoria “Nugget” na 4ª Copa Brasileira de Lúpulos, o maior evento do setor no país.

Além disso, a propriedade deu origem à Righetty IPA, primeira cerveja elaborada 100% com o lúpulo da fazenda, desenvolvida em parceria com a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS/AL) e a Associação de Cervejeiros Caseiros Artesanais (Acerva). No encerramento do dia de campo, os convidados puderam degustar a bebida, além de uma versão especial que levou pimenta-do-reino da marca Preta 52, também produzida por Aluysio na região.

Para Cláudio Gouveia, da Breja em Casa, cervejaria artesanal de Arapiraca, a experiência abre portas para o mercado regional. “Eu não conhecia o lúpulo de perto e me surpreendi. É uma grande oportunidade tanto para quem faz cerveja em casa quanto para as cervejarias locais. Um marco importante para o estado”, comemora.

Planos de expansão

Embora o cultivo enfrente os desafios naturais de pragas e falta de maquinário específico no mercado nacional, o produtor aposta na resiliência e na parceria com o Sebrae para continuar crescendo. O plano é saltar das atuais 500 plantas produtivas para 2 mil em cerca de um ano, focando apenas nas quatro ou cinco variedades que melhor se adaptaram ao clima alagoano.

“Com 2 mil plantas conseguiremos atender a demanda de Alagoas e Pernambuco”, projeta Righetty.

O avanço é endossado pelo Sebrae Alagoas, que atua como articulador estratégico do setor. Januacele Vieira, analista da instituição, celebra o impacto do projeto: “Acompanhamos essa plantação desde o início, focando no potencial de mercado. O evento deste ano atraiu o dobro de participantes em relação ao ano passado, o que demonstra o interesse crescente pelo setor. Estamos juntos para incentivar o empreendedorismo, a inovação no campo e a consolidação da cultura cervejeira no Nordeste”.

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