Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) resultou no depósito de cinco patentes com potencial de aplicação nas áreas agrícola, clínica e veterinária. O trabalho é conduzido pelo doutorando Emeson Santos, no Programa de Pós-graduação em Química e Biotecnologia, e aposta em soluções inovadoras para aumentar a eficiência dos fertilizantes e ampliar alternativas no combate a fungos causadores de infecções.
O foco da pesquisa está no desenvolvimento de novos inibidores da enzima urease. Essa enzima atua diretamente na degradação da ureia no solo, acelerando a perda de nitrogênio antes que ele seja absorvido pelas plantas. Como consequência, parte do fertilizante aplicado acaba desperdiçada, reduzindo o aproveitamento da adubação.
Os compostos criados pelo pesquisador têm a função de retardar essa reação, permitindo que o nitrogênio permaneça disponível por mais tempo no solo. Na prática, isso pode representar melhor rendimento agrícola, redução de perdas e menor impacto ambiental associado à volatilização da amônia.
Segundo Emeson Santos, os resultados alcançados nos testes mostraram desempenho superior ao do NBPT, principal inibidor comercial utilizado atualmente no mercado. De acordo com o pesquisador, os novos compostos apresentaram maior estabilidade em diferentes tipos de solo, inclusive em ambientes mais ácidos e ricos em matéria orgânica, características comuns em áreas agrícolas brasileiras.
Além da eficiência técnica, as tecnologias desenvolvidas também surgem como alternativa nacional com potencial de menor custo em relação aos produtos importados usados atualmente no setor agrícola.
Nanopartículas
A pesquisa também avançou em outra frente: o desenvolvimento de nanopartículas de selênio com ação antifúngica. Os testes laboratoriais indicaram resultados promissores contra microrganismos como o Cryptococcus neoformans, fungo associado a infecções graves em pessoas imunossuprimidas e também em animais.
As nanopartículas apresentaram elevada atividade antifúngica e potencial para reduzir limitações observadas em tratamentos convencionais, como resistência microbiana e efeitos tóxicos.
De acordo com o pesquisador, as descobertas podem ampliar as possibilidades terapêuticas tanto na medicina quanto na medicina veterinária, especialmente em um cenário em que as infecções fúngicas seguem como desafio para a área da saúde.
Próximas etapas
Antes de chegar ao mercado, as tecnologias ainda passarão por novas etapas de validação. No caso das aplicações agrícolas, estão previstos testes em diferentes tipos de solo, avaliações em campo e estudos de viabilidade técnica e econômica.
Já as nanopartículas antifúngicas ainda precisam avançar em estudos de segurança e eficácia em modelos biológicos mais complexos, etapa essencial antes de qualquer aplicação clínica ou veterinária.
A pesquisa contou com colaboração de instituições como Instituto Federal Sul-rio-grandense, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal da Paraíba, além do suporte do Laboratório de Inovação em Química Analítica (Linqa) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede Nacional de Inibidores de Ureases (INCT-Redniu).
Para Emeson Santos, o depósito das cinco patentes mostra como a produção científica desenvolvida dentro das universidades públicas pode gerar soluções tecnológicas com aplicações práticas para diferentes setores da sociedade.









