Ateliês criados pela psiquiatra alagoana Nise da Silveira completam 80 anos de existência

Os espaços foram criados pela médica para substituir tratamentos agressivos pela arte e pelo afeto
O museu está fechando parcerias no exterior para a publicação dos livros de Nise da Silveira em inglês, francês e espanhol (crédito: Agência Brasil)

Uma experiência pioneira que transformou para sempre a história da psiquiatria no Brasil e no mundo celebra um marco histórico neste dia 18 de maio: os 80 anos dos ateliês terapêuticos criados pela médica e psiquiatra alagoana Nise da Silveira.

Nascida em Maceió, em 15 de fevereiro de 1905, Nise Magalhães da Silveira foi a mente brilhante que desafiou a medicina tradicional de sua época. Em 1946, quando os ateliês foram fundados, a proposta ousada da alagoana era substituir métodos agressivos e dolorosos — como o eletrochoque, o isolamento e a lobotomia — por atividades artísticas coletivas, baseadas no afeto, na escuta e na dignidade humana.

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Os ateliês criados pela psiquiatra alagoana deram origem ao hoje célebre Museu de Imagens do Inconsciente (MII), localizado no bairro Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro, cidade onde a médica faleceu em 30 de outubro de 1999.

Atualmente, o local é uma referência internacional e abriga o maior acervo do mundo em seu gênero, com mais de 400 mil obras. Desse total, 128 mil expressões artísticas são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Todo esse vasto material produzido nos ateliês serve como base para importantes pesquisas científicas que buscam compreender o mundo interno e os processos psíquicos do ser humano.

Para celebrar essas oito décadas de história, o Museu de Imagens do Inconsciente preparou uma extensa programação de atividades gratuitas ao longo de todo o ano. O início oficial das comemorações está marcado para esta egunda-feira (18), marcando a 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com o apoio do Itaú, sob o tema “Museus: unindo um mundo dividido”.

A data escolhida carrega um simbolismo profundo, pois o dia 18 de maio marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, enquanto o dia 20 de maio celebra a fundação do próprio MII.

Uma das grandes novidades das festividades será a abertura dos ateliês terapêuticos para o público geral, que ocorrerá uma vez por mês. Oitenta anos depois, o legado da maceioense também se prepara para romper ainda mais as fronteiras brasileiras através de um forte processo de internacionalização.

O museu está fechando parcerias no exterior para a publicação dos livros de Nise da Silveira em inglês, francês e espanhol, além de estreitar laços com instituições internacionais que desejam replicar a teoria e a prática da alagoana como alternativa aos tratamentos tradicionais.

Em paralelo, a Sociedade Amigos do MII trabalha para que as pesquisas da médica ganhem cada vez mais espaço no meio acadêmico através de cursos de extensão e pós-graduação. O objetivo central é fazer com que Nise seja amplamente estudada nos campos da saúde mental, psicologia e ciências humanas, consolidando sua ciência de vanguarda que levou a sensibilidade e o respeito de Alagoas para o mundo.

A programação disponível pode ser conferida aqui.

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