A economia alagoana vive um momento promissor no cenário internacional. Com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia prevista para 2026, Alagoas surge como um dos estados brasileiros com forte potencial de crescimento nas exportações, geração de empregos e expansão industrial.
As oportunidades foram detalhadas no estudo “Acordo Mercosul-União Europeia: Panorama geral, impactos e oportunidades para o setor produtivo alagoano”, lançado pela Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), por meio do Observatório da Indústria e do Centro Internacional de Negócios (CIN).
O levantamento revela que Alagoas já vem elevando suas relações comerciais com os países europeus. Em 2025, o estado exportou US$ 89,9 milhões para a União Europeia, registrando crescimento de 13,56% em relação ao ano anterior e garantindo superávit de US$ 61,2 milhões na balança comercial com o bloco.
Pauta exportadora
Espanha, Croácia e Portugal aparecem entre os principais destinos dos produtos alagoanos, enquanto açúcar de cana, tabaco, cabos de fibra óptica e derivados do coco lideram a pauta exportadora.
Para o presidente da FIEA, José Carlos Lyra de Andrade, o novo cenário representa uma oportunidade histórica para o crescimento da economia estadual.
“Esse estudo mostra, com dados concretos, onde estão as oportunidades para Alagoas crescer no mercado internacional. O acordo abre portas importantes para os nossos produtos e pode impulsionar novos investimentos, competitividade e desenvolvimento”, destacou.
A expectativa é que a redução gradual ou imediata de tarifas amplie o espaço dos produtos alagoanos no mercado europeu, considerado um dos maiores e mais exigentes do mundo. O acordo deve beneficiar diretamente setores estratégicos da economia estadual, robustecendo cadeias produtivas e estimulando a criação de empregos.
Potencial de crescimento
Entre os segmentos com maior potencial de crescimento estão agroindústria sucroenergética, alimentos e bebidas, indústria química, PVC, plásticos, couro, moda, etanol, frutas, mel e cachaça.
O açúcar desponta como um dos grandes beneficiados. O acordo prevê uma cota de 180 mil toneladas com tarifa zero para o Mercosul, criando um cenário favorável para Alagoas, maior produtor nordestino do produto.
Outro destaque é o setor de alimentos e bebidas. Produtos como água de coco, óleo de coco, sucos de frutas e mel devem ganhar espaço na Europa. O estudo chama atenção especialmente para o potencial do mel alagoano. Em 2024, o estado produziu mais de 538 mil quilos do produto, mas exportou apenas 168 quilos em 2025, o equivalente a apenas 0,03% da produção.
Com o novo acordo, que estabelece cota de 45 mil toneladas com tarifa zero para o mel natural, a expectativa é ampliar oportunidades para pequenos produtores, fortalecer a agricultura familiar e gerar renda no interior do estado.
Avanço da indústria
O levantamento também evidencia o avanço da indústria alagoana nos últimos anos. O setor de fabricação de alimentos alcançou R$ 8,66 bilhões em produção industrial em 2023, acumulando crescimento de 117,8% desde 2016.
Já a indústria química praticamente dobrou de tamanho no período, chegando a R$ 3,84 bilhões em produção. O segmento de borracha e material plástico apresentou crescimento ainda mais expressivo: avanço de 275,2% entre 2016 e 2023.

Produtos como PVC, embalagens plásticas, tubos, conexões, couros, bolsas, mochilas, moda praia, moda fitness e bijuterias produzidas em Alagoas também devem ganhar competitividade internacional com a redução das tarifas.
Segundo o gerente do Observatório da Indústria, Rafael Fragoso, o estudo foi pensado para preparar empresas de todos os portes para o novo cenário global.
“Além de mostrar oportunidades para quem já exporta, o levantamento ajuda empresas que desejam iniciar sua atuação internacional, apontando caminhos em áreas como certificação, adequação regulatória e inteligência comercial”, explicou.
A gerente do CIN/FIEA, Dielze Mello, reforçou que o sistema industrial alagoano vai atuar diretamente no apoio às empresas interessadas em conquistar o mercado europeu.
“Queremos transformar esse acordo em uma ferramenta de desenvolvimento econômico, ampliando exportações, fortalecendo a indústria local e gerando novas oportunidades para Alagoas”, afirmou.
Com um mercado europeu de US$ 19,4 trilhões em PIB e responsável por cerca de 16% do comércio exterior brasileiro, o acordo Mercosul-União Europeia é visto como uma oportunidade concreta para colocar ainda mais produtos alagoanos no mapa internacional e impulsionar um novo ciclo de crescimento econômico no estado.

Na avaliação do presidente da FIEA, José Carlos Lyra de Andrade, o estudo chega em um momento decisivo, em que as empresas alagoanas devem se preparar para um novo cenário econômico internacional.
“Esse estudo é estratégico porque mostra, com dados concretos, onde estão as oportunidades para Alagoas crescer no mercado internacional. O acordo entre Mercosul e União Europeia abre portas importantes para os nossos produtos, mas também aumenta a concorrência dentro do próprio mercado brasileiro”, revelou.









