Uma descoberta que nasceu quase por acaso nos laboratórios da Universidade Federal de Alagoas acaba de cruzar fronteiras e conquistar um reconhecimento internacional de peso com uma patente concedida nos Estados Unidos.
O estudo une ciência de ponta e impacto social ao apresentar uma molécula inovadora capaz de combater doenças negligenciadas, como a malária e a leishmaniose, com custos reduzidos e alta eficiência.
A jornada começou há 15 anos sob a liderança do professor Mário Meneghetti. O objetivo inicial era criar compostos que usassem elementos metálicos para potencializar remédios já conhecidos, como a cloroquina.
No entanto, durante o processo de criação, uma molécula intermediária apresentou um desempenho surpreendente antes mesmo de receber o metal planejado. Segundo os pesquisadores, ela se mostrou extremamente ativa contra a malária, inclusive contra cepas do parasita que já são resistentes aos medicamentos atuais.
O sucesso da pesquisa é fruto de uma colaboração poderosa entre instituições renomadas. A expertise em síntese molecular do Grupo de Catálise e Reatividade Química da Ufal uniu-se ao trabalho da Fiocruz de Minas Gerais, da PUC-Rio e da University of California San Francisco.
Essa união permitiu que a molécula alagoana fosse analisada de forma ampla, resultando em avanços científicos que projetam o nome de Alagoas para a elite da pesquisa mundial.
Mais do que uma conquista acadêmica, a molécula brilha pelo seu potencial de utilidade pública. Ela consegue vencer os mecanismos que os parasitas usam para escapar dos remédios tradicionais e possui uma produção considerada relativamente fácil, o que garante um preço competitivo para o sistema de saúde. Essa soberania tecnológica prova que a ciência produzida dentro da Ufal tem qualidade para ser protegida em qualquer país do mundo.
Embora a patente americana seja um marco histórico, o trabalho continua firme nos laboratórios. O grupo agora foca em testes detalhados de toxicidade e no desenvolvimento de novas versões ainda mais potentes da substância.
O objetivo final é atrair investimentos e parcerias com empresas para licenciar a tecnologia, garantindo que a descoberta saia do ambiente universitário e chegue diretamente aos pacientes que mais precisam de tratamento.









