Alagoano conquista prêmio com pesquisa que aproxima idosos da tecnologia

Atividades lúdicas e práticas corporais ajudaram participantes a desenvolver consciência crítica sobre uso das mídias digitais
Pesquisa foi realizada com participantes de 51 a 82 anos em projetos de extensão ligados à musculação e à ginástica no Iefe (crédito: Ascom Ufal)

O uso mais consciente da tecnologia, o aumento da autonomia no ambiente digital e a ampliação das relações sociais entre idosos estão entre os principais resultados de uma pesquisa desenvolvida pelo estudante do Instituto de Educação Física (Iefe) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), José Cícero Pereira da Silva. O trabalho, que uniu educação física e educação midiática, garantiu ao universitário o título de Excelência Acadêmica do Programa de Iniciação Científica Ciclo 2024/2025.

A pesquisa foi realizada com participantes de 51 a 82 anos em projetos de extensão ligados à musculação e à ginástica no Iefe. Por meio de atividades práticas e conversas sobre tecnologia, os idosos passaram a compreender melhor temas como segurança digital, aplicativos, inteligência artificial, análise de propagandas e jogos educativos.

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Segundo José, o objetivo era ir além do aprendizado técnico sobre ferramentas digitais. “A ideia era falar sobre tecnologia, mas também entender como as pessoas estão se relacionando com ela. Trata-se de desenvolver um pensamento mais crítico e ético sobre o uso da tecnologia, principalmente entre pessoas idosas, que muitas vezes sofrem exclusão digital”, explicou.

A investigação nasceu da participação do estudante no grupo Observatório de mídias, tecnologias digitais e práticas corporais (Remix/Ufal), coordenado pelo professor Silvan Menezes. O trabalho adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, com aplicação de formulários, entrevistas e planos de aula integrados às práticas corporais.

As atividades pedagógicas incluíram dinâmicas adaptadas aos diferentes grupos acompanhados pelo estudante. Enquanto as aulas de ginástica seguiram um formato mais lúdico e interativo, as práticas na musculação foram conduzidas de maneira mais estruturada. Para José, a experiência exigiu sensibilidade para compreender as necessidades e vivências dos participantes.

“Muitas vezes os participantes confundiam assuntos ou aproveitavam o espaço para relatar experiências com tecnologia e exclusão digital. Foi necessário ter jogo de cintura para conduzir tudo”, contou.

O professor Silvan Menezes destacou que a capacidade de adaptação desenvolvida pelo estudante foi decisiva para os resultados alcançados. “Foi um processo muito criativo, com resultados positivos. Os idosos demonstraram engajamento, interesse e até pediram o retorno dele ao projeto”, relatou.

Trajetória 

Além do reconhecimento acadêmico, José afirma que a convivência com os idosos marcou profundamente sua trajetória pessoal e profissional. “As conversas foram muito marcantes, porque eles conseguiam se expressar. Às vezes você via alguém querendo falar, mas com vergonha, e incentivava, e a pessoa começava a se colocar como alguém que também contribui com conhecimento”, disse.

Natural de São José da Laje, o estudante também carrega uma história de superação construída dentro da universidade pública. Vindo da rede pública de ensino e enfrentando dificuldades de aprendizagem ao ingressar na graduação, ele encontrou na Ufal apoio para permanecer nos estudos e desenvolver pesquisas.

“Sem esses auxílios, eu não estaria aqui. Essas oportunidades me permitiram estudar, pesquisar e até viajar. Tenho muito orgulho disso. A universidade pública me deu condições de continuar e crescer”, afirmou.

Para o professor Silvan, a trajetória do aluno representa o impacto social da educação pública.

“O José é um estudante que enfrenta limitações da educação básica, mas que tem superado pouco a pouco todas essas barreiras sociais impostas a esses jovens”, destacou.

Ao receber o título de Excelência Acadêmica, José vê o reconhecimento como um incentivo para continuar investindo na formação e na produção científica.

“Esse reconhecimento me dá fôlego. Mostra que estou no caminho certo e fazendo um bom trabalho. É um reconhecimento da luta que eu tive”, concluiu.

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