Em muitas escolas do Brasil, o aprendizado ainda é um desafio diário. No entanto, a tecnologia pode enxergar caminhos que antes eram invisíveis. A busca por esses atalhos inspirou o professor da rede municipal de ensino de Belo Monte, Maxwell Melo da Silva, que uniu a Inteligência Artificial ao ensino, resultando em uma parceria que ajuda os alunos a aprenderem e os professores a organizarem suas aulas.
Esse projeto se chama “Laboratório de IA Pedagógica + Programa Avança Belo Monte” e, recentemente, alcançou o 1º lugar na categoria Jornada de Inovação Pedagógica e Metodologias Ativas, na etapa nacional da terceira edição do Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Sebrae, Instituto Significare e Bett Brasil.
A ideia é simples, mas inovadora. Estruturado a partir da metodologia Design Thinking, o programa utiliza ferramentas de IA para criar atividades personalizadas, jogos educativos e, principalmente, aproximar a família do ambiente escolar.
Um dos grandes diferenciais da iniciativa é a capacidade de estender a escola para dentro de casa. Através da gamificação, os alunos realizam tarefas interagindo com plataformas tecnológicas, enquanto o professor monitora o desempenho em tempo real.
“A educação não fica só entre as quatro paredes da escola, ela é estendida. O aluno em casa, através da gamificação, responde enquanto joga e brinca. Fora da escola, ele tem que ter o gosto pelo saber, e a gente usa a tecnologia para que ele participe junto com a família”, explica o professor Maxwell Melo.
A IA sugere metodologias lúdicas e gera planilhas de desempenho, permitindo uma visão clara do desenvolvimento do aluno por semana, bimestre ou semestre. Apesar do uso de “robôs” e algoritmos, Maxwell defende que a tecnologia serve para potencializar o humano, e não substituí-lo. O projeto também foca na formação de outros docentes, para que eles também dominem as ferramentas digitais.
Além do encantamento dos alunos, o projeto traz uma camada técnica rigorosa: a coleta de dados. Com planilhas geradas automaticamente pelas plataformas, Maxwell consegue identificar exatamente onde cada estudante apresenta dificuldades, permitindo uma intervenção pedagógica certeira.
“A coleta de dados é essencial. Você vê o desenvolvimento do aluno por bimestre, semestre ou até por um conteúdo específico. Temos uma gama enorme de possibilidades para aplicar a IA dentro da educação, e esse modelo que criamos é autônomo e replicável”, afirma Maxwell.
Sobre a premiação
A premiação aconteceu durante o maior evento de inovação e tecnologia para a educação da América Latina, realizado em São Paulo. O projeto de Maxwell Melo integra inteligência artificial e computação desplugada para combater a desigualdade digital e as lacunas de aprendizagem.
O Prêmio Educador Transformador reconhece e impulsiona práticas pedagógicas inovadoras e valoriza o protagonismo de professores e gestores que desenvolvem soluções criativas para os desafios reais do ensino. A iniciativa visa transformar ideias em projetos concretos, alinhados à educação empreendedora e à resolução de problemas dentro e fora da escola. Ao todo, foram 5.560 inscrições, com participantes de 27 estados concorrendo em sete categorias.









