Advogada alagoana cria jogo que traduz Lei Maria da Penha em linguagem acessível

Ao transformar conceitos jurídicos em dinâmica interativa, Círculo de Proteção amplia alcance da informação qualificada
Advogada destaca que a criação do jogo está diretamente ligada à sua trajetória (crédito: assessoria)

Um jogo que transforma a Lei Maria da Penha em decisões práticas e ajuda a identificar situações de violência que muitas vezes passam despercebidas. Essa é a proposta do “Círculo de Proteção – Caminhos para romper o ciclo da violência”, desenvolvido pela advogada criminalista alagoana Amanda Montenegro, com foco na aplicação direta do Direito no cotidiano de mulheres em situação de violência.

A professora e pesquisadora Andrea Marques Vanderlei Fregadolli, colaborou no desenvolvimento do material. A iniciativa parte de um problema recorrente no sistema de justiça: a dificuldade de compreensão, por parte das vítimas, sobre como identificar a violência e acessar mecanismos de proteção.

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Ao transformar conceitos jurídicos em uma dinâmica interativa, o jogo busca preencher essa lacuna e ampliar o alcance da informação qualificada.

“O sistema de proteção existe, mas muitas mulheres não conseguem acessá-lo porque ele ainda é pouco compreendido. O jogo nasce como uma ponte entre o Direito e a vida real”, afirma Amanda Montenegro.

A ferramenta foi construída a partir do livro “Violência Doméstica sob a Ótica da Defesa Estratégica”, lançado pela advogada no último sábado (25), no Teatro Gustavo Leite, durante a programação do Vox Criminal. A obra reúne fundamentos penais, medidas protetivas e soluções cíveis integradas, com base na experiência profissional e pessoal da autora.

Reconhecimento da violência

Segundo Amanda, o jogo traduz, em linguagem acessível, dispositivos da Lei Maria da Penha, especialmente o artigo 7º, que define as diferentes formas de violência doméstica.

“A proposta é que a pessoa consiga reconhecer, de forma concreta, situações que muitas vezes são naturalizadas, mas que têm relevância jurídica”, explica.

Na prática, o “Círculo de Proteção” apresenta cenários que conectam condutas a tipos penais, como ameaça, perseguição, lesão corporal e crimes contra a honra, além de destacar o papel das medidas protetivas de urgência como instrumentos centrais para interromper o ciclo da violência.

A advogada também destaca que a criação do jogo está diretamente ligada à sua trajetória. Em declaração, ela afirma que sua atuação é atravessada pela vivência e pela percepção das fragilidades do sistema de justiça. Amanda sustenta que essa experiência permitiu desenvolver estratégias mais eficazes e sensíveis às complexidades dos casos.

“Eu não falo apenas como advogada. Falo como quem conhece o outro lado do processo. Isso muda a forma de pensar a defesa e, principalmente, a proteção”, diz.

Atuação em rede

Além do caráter educativo, o jogo reforça a importância da atuação em rede, envolvendo justiça, segurança pública, saúde e assistência social. Para Amanda, enfrentar a violência doméstica exige uma resposta integrada.

Ela critica abordagens fragmentadas e defende que a informação qualificada é um dos primeiros passos para romper o ciclo.

Com o lançamento, o “Círculo de Proteção” passa a ser apresentado como uma ferramenta de educação jurídica aplicada, com potencial de uso em escolas, instituições e projetos sociais.

“A expectativa é ampliar o debate sobre violência doméstica e facilitar o acesso a informações que podem ser decisivas para a proteção de mulheres”, conclui a advogada.

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