Samba da Periferia leva oficina percussiva e debate sobre fé e cultura

Atividades gratuitas anteciparam o Samba Pra Jorge, evento que acontece neste sábado (25)

O som do pandeiro marcou o início de uma tarde de aprendizado e troca no Theatro Homerinho, em Maceió, no bairro do Jaraguá.

Promovida pelo grupo Samba da Periferia, a oficina percussiva, realizada nessa sexta-feira (24), reuniu participantes de diferentes idades em uma experiência prática que abriu caminho para o universo do samba e da cultura popular.

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A atividade integra as ações viabilizadas pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que tem ampliado o acesso à cultura ao incentivar projetos que combinam produção artística e formação social.

Ministrada pelo Mestre Dogão, a oficina apresentou os fundamentos do instrumento, desde o reconhecimento do pandeiro até os primeiros ritmos. O resultado foi imediato.

Ainda nos primeiros minutos, os participantes já conseguiam acompanhar a batida e experimentar a musicalidade na prática.

“Para mim, foi muito especial participar desse momento. É um grupo que eu admiro, e estar aqui, nessa primeira captação deles, é uma honra. A gente começa pelo básico, pelo contato com o instrumento, e já dá para ver que todo mundo tem ritmo. Daqui a pouco vai ter um monte de pandeirista na cidade”, afirmou o mestre.

Entre os participantes, a professora Amanda Nascimento encontrou na oficina a oportunidade de aprofundar um interesse antigo.

“Eu já gostava de pandeiro, aprendi algumas coisas pela internet, mas estar aqui foi diferente. Deu mais vontade ainda de continuar. A gente percebe que tem ritmo, que pode evoluir”, contou.

A ação evidencia um dos principais diferenciais da PNAB, que, além de fomentar eventos culturais, estimula iniciativas que devolvem à sociedade o investimento recebido, ampliando o acesso, incentivando novos talentos e fortalecendo a cadeia produtiva da cultura.

Ogun é Ogun. São Jorge é São Jorge.

Após a oficina, o palco do Theatro Homerinho deu espaço a um debate que ampliou o olhar sobre a figura de São Jorge.

A roda de conversa reuniu representantes de diferentes áreas e tradições religiosas para discutir o simbolismo do Santo Guerreiro no contexto cultural brasileiro, especialmente no samba.

Entre os convidados, a ialorixá Mãe Neide Oyá D’Oxum destacou a importância de compreender o sincretismo religioso como um processo histórico de resistência.

“Ogun é Ogun. São Jorge é São Jorge. Nossos ancestrais usaram o disfarce do culto a São Jorge porque não podiam cultuar Ogun. Hoje, podemos falar abertamente sobre isso, respeitando todas as crenças. É um reconhecimento da nossa história e da nossa identidade”, explicou.
O economista e gestor cultural Vinicius Palmeira trouxe uma contextualização histórica da figura de São Jorge, ressaltando sua relevância ao longo dos séculos.

“Estamos falando de uma figura que atravessa mais de 1.700 anos da história católica, e entre 5 e 7 mil anos da história de Ogun. São Jorge e Ogun se tornaram símbolos de fé ressignificados em diferentes contextos, inclusive no Brasil, onde dialogam diretamente com a cultura popular e com o samba”, pontuou.

A roda contou ainda com a participação de lideranças religiosas, pesquisadores e agentes culturais, promovendo um espaço de escuta, reflexão e respeito entre diferentes visões de mundo.

Ao transformar recursos públicos em ações concretas para a população, o grupo reforça o papel da cultura como ferramenta de desenvolvimento social, mostrando que o samba, além de celebrar, também ensina, conecta e transforma.

As atividades realizadas no Theatro Homerinho anteciparam o clima do Samba Pra Jorge, que acontece neste sábado (25), no Espaço Armazém. Além de evento musical, o projeto se consolida como uma iniciativa que articula cultura, educação e políticas públicas, ampliando o impacto do Samba da Periferia na cidade.

Serviço

Evento: Samba Pra Jorge
Data: 25 de abril
Hora: Abertura da casa às 18h
Local: Espaço Armazém
Ingressos: Viva Alagoas – Maceió Shopping
Folia Brasil – G Barbosa Stella Maris

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