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Comunidade indígena Karapotó Plaki-ô comemora nova escola após três décadas

Obra integra o programa Escola do Coração, que prevê a construção de 57 unidades educacionais em Alagoas
A nova escola representa o fim de uma longa luta da comunidade (créditos: Edvan Ferreira)

Após mais de 30 anos de espera, as 150 famílias da comunidade indígena Karapotó Plaki-ô, em São Sebastião, a 55 km de Maceió, começam 2026 realizando o sonho de ter uma unidade de ensino nova. A Escola Estadual Indígena Itapó foi entregue nessa quarta-feira (14) pelo governador Paulo Dantas.

A obra integra o programa Escola do Coração, que prevê a construção de 57 unidades educacionais em Alagoas, sendo oito destinadas a comunidades indígenas.

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A nova escola representa o fim de uma longa luta da comunidade, que precisava de um espaço adequado para fortalecer a educação, a resistência cultural e a preservação das tradições ancestrais do povo Karapotó Plaki-ô.

A Escola Estadual Indígena Itapó segue o padrão arquitetônico voltado às comunidades indígenas e representou um investimento de mais de R$ 3 milhões. A estrutura conta com sete salas, sendo seis de aula e uma multiuso , biblioteca com espaço de informática, ginásio poliesportivo completo, além de blocos administrativo e de serviços, com cozinha industrial, refeitório e acessibilidade.

Responsável pela gestão da unidade, a diretora Laédina Nunes Tononé Souza celebrou a conquista e destacou a importância da escola para a preservação cultural da comunidade.

“Hoje é um dia muito especial para todos nós. Foram muitos anos de luta. Já temos 66 alunos matriculados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I e II, e a expectativa é ampliar esse número. Com a nova estrutura, poderemos desenvolver melhor nossos projetos pedagógicos e culturais”, afirmou.

Atendendo a um pedido da comunidade, a secretária de Estado da Educação, Roseane Vasconcelos, anunciou que a escola está autorizada a ofertar o ensino médio a partir de 2026.

“Além de uma estrutura completa, deixamos a melhor notícia: esta escola está autorizada a iniciar o ensino médio já no próximo ano. Era o sonho de muitas famílias da comunidade”, disse.

Dura como pedra

Sob a liderança do cacique Juarez de Souza, conhecido como Itapó, a escola simboliza o fortalecimento da identidade étnica e o enfrentamento ao apagamento histórico no Baixo São Francisco. O nome Itapó significa “pedra dura”, símbolo de força, energia e proteção espiritual para o povo Karapotó Plaki-ô.

Emocionado, o cacique relembrou a primeira escola da comunidade. “Compramos cimento, tinta, e as mães e professoras pintavam as paredes com as mãos. Ver essa nova escola hoje faz valer cada luta e cada sacrifício. É orgulho ver nossos filhos tendo acesso a uma educação digna”, recordou.

Escola Estadual Indígena Itapó segue o padrão arquitetônico voltado às comunidades indígenas

Para ele, a escola vai além do ensino formal. “Ela não é apenas para ensinar o ‘ABC’ do homem branco, mas para fortalecer nossas raízes. Por isso, defendemos que os profissionais sejam da própria aldeia, garantindo que o conhecimento circule dentro da comunidade”, destacou.

Nutrir o corpo para alimentar o conhecimento

Maria Lourdes, moradora da comunidade e há 12 anos atuando na educação de São Sebastião, falou da importância da nova estrutura também para quem trabalha na alimentação escolar.

“Antes era tudo muito difícil, o calor era grande e o fogão pequeno. Agora temos uma cozinha adequada, com fogão industrial, bancadas e ventilação. É um espaço digno para preparar a merenda e garantir que os alunos aprendam bem alimentados”, contou.