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Conheça a professora indígena alagoana que fará doutorado na UERGS

Graduada pela Uneal, ela foi a primeira mestre do povo Wassu Cocal, em Joaquim Gomes
Trajetória acadêmica de Simone Maria é um exemplo de determinação e coragem (foto: arquivo pessoal)

A professora indígena Simone Maria dos Santos Vanderley foi aprovada no curso de doutorado em Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e vai se mudar de Joaquim Gomes (AL) para o Sul do Brasil para fazer a pós-graduação stricto sensu presencial, a partir de agosto.

Integrante do povo Wassu Cocal, a trajetória acadêmica dela é um exemplo de determinação e coragem. Simone é egressa do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind), na Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), onde concluiu a Licenciatura Intercultural Indígena em Matemática e Ciências Naturais.

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Em 2023, ela terminou o mestrado em Educação na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Simone foi a única indígena da sua turma de pós-graduação na Ufal e a primeira professora do povo Wassu Cocal a conquistar o título de mestre.

Agora, o desafio é fazer o curso em outro estado, longe da sua comunidade, mas ela já está preparada. “A minha expectativa é dar voz ao meu povo dentro da universidade e me qualificar enquanto profissional, enquanto indígena, enquanto pessoa para melhor assistir ao meu povo em suas reivindicações pelo direito educacional, principalmente”, afirmou.

Frentes diversas 

Além dos estudos, Simone também se dedica a diversas frentes de trabalho. É articuladora de ensino na Escola Estadual Indígena Professora Marlene Marques dos Santos; atua como formadora do curso “Ação Saberes Indígenas na Escola” pela Universidade Federal de Sergipe.

Participa, como uma das coordenadoras e idealizadora, de um projeto no município de Joaquim Gomes no qual a história da cidade está sendo escrita, e dá assistência à turma da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), em Matriz do Camaragibe.

Simone: “A minha expectativa é dar voz ao meu povo dentro da universidade”

Para fazer o doutorado, ela irá deixar todas as funções. “Vou ficar sem nenhuma dessas rendas. E esse é um dos grandes desafios: poder me manter na universidade. Minha única certeza é que eu não vou desistir e que eu vou conseguir o título de doutora, não para Simone, mas para os povos indígenas de Alagoas. Os povos indígenas de Alagoas merecem essa conquista e é pelo meu povo que eu vou em busca dela e vou conseguir”, frisou.

Para a coordenação do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena (CLIND) da Uneal, “esta é uma conquista significativa não apenas para Simone, mas para todo o movimento indígena e acadêmico, evidenciando o impacto positivo das políticas afirmativas e do ensino intercultural em nossa instituição”.